quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Reunião da Executiva Nacional da Nação Hip Hop Brasil





Preparando o 5º Encontro Nacional do Hip Hop que acontecerá no mês de março de 2014, interessados em participar fazer contato  e pau no gato.




Mano Oraculo-SP, White Jay-RS , Marcelo Osasco-SP,Sagaz  -ES,Raisuli-Salto-SP,Néia Oliveira-São Vicente-SP, Beto Teoria -SP,Gi- Santana do Parnaíba-Sp,Nuno Mendes Espaço Rap,  Hot Black-SE, B.Boy Cris Ribeirão Pires-SP. Uma só Nação!

15 / Novembro/2013.






Encontro de amigos de milidukas do rap nacional.


MC White Jay monstrão do Hip Hop-RS, apresentador do programa de Hip Hop da TVE-RS acabou de lançar seu cd "Sente o Rap" e meu parceiro de milianos de Aracajú Sergipe  MC Hot Black, monstro do Hip Hop do nordeste, apresentador do programa Estação Periferia da TV Aperipê, entre outras mil fitas sociais que esses manos estão realizando pelo Brasil a fora.Sempre uma satisfação encontrar com esses manos.Valeu!


Elza Monnerat: símbolo de um tempo de lutas






Este é o prefácio à segunda edição do livro Coração Vermelho: a vida de Elza Monnerat, de autoria de Verônica Bercht. Lançado em 2002. estava esgotado, e a Fundação Maurício Grabois, com a Anita Garibaldi lançam agora a 2ª edição do livro, enriquecida com este prefácio de Paulio Abrão e atualizada pelo pósfácio de Priscila Lobregatte. 

Por Paulo Abrão

O gênero biográfico se presta a muitos fins. Algumas biografias sem maiores pretensões simplesmente permitem a seu leitor satisfazer uma curiosidade, adentrando em espaços privados da vida alheia que de outra maneira permaneceriam inacessíveis. Este não é o caso do presente livro.
Verônica Bercht percorre outra trilha. Se é bem verdade que, sim, através desta obra podemos conhecer um pouco mais da vida pessoal e das escolhas particulares da militante comunista Elza Monnerat, o fio condutor do texto não será pautado por momentos privados, mas sim por um profundo senso público de comunidade. Não serão as escolhas pessoais, mas sim a participação individual nas ações coletivas que dará a tônica da narrativa. Mas importa destacar que disso não decorre que a “personagem” Elza Monnerat desapareça no coletivo, ocorre o oposto: ao explorar a vida de Elza, Verônica nos permite compreender quão importante foi sua luta para a construção da resistência à opressão, à ditadura e ao capitalismo. Permite-nos, portanto, resgatar o papel que cada um de nós tem, a seu tempo, ante aos desafios que a história nos impõe.

É assim que esta biografia, ao relatar a história de Elza e seu “coração vermelho”, nos abre a possibilidade de melhor compreender a dinâmica política de um tempo de intensas contradições onde alguns – como Elza – optaram por lutar com todas as forças, e os meios de que dispunham, para mudar um mundo que lhes parecia injusto e injustificável.

A vida de Elza funciona, desta feita, como ilustração dos anseios de toda uma geração de lutadores sociais ligados ao Partido Comunista do Brasil. O PCdoB foi uma das organizações mais reprimidas pela ditadura civil-militar brasileira. Elza nunca foi uma grande figura pública do Partido, de modo que se torna ainda mais admirável sua constante postura de luta. Nos tempos correntes, onde uma completa paralisia ideológica se aflige sob muitos setores sociais – ensejando um senso comum de que a realidade social “é o que é”, e não o que os homens dela fizeram –, sua atuação revolucionária abnegada permite-nos relembrar momentos onde a tomada de posição era muito mais custosa em termos pessoais, e onde pessoas como Elza colocaram sua vida à disposição de uma causa.

A história de Elza, portanto, nos alimenta de combustível para seguir em frente na disputa contra a ideia torpe de que uma sociedade não ideológica é possível, de que a neutralidade é desejável e de que o mundo simplesmente é o que é.

É por isso que essa lembrança de lutas que a história de Elza faz eclodir nos chama a atenção para a própria tessitura do espaço político.

Enquanto locus de disputa, o político é sempre instável, permeável, modificável. Resgatar essa dimensão é fundamental para todos aqueles que ousam se indignar, uma vez que é desta constatação de que sim, podemos mudar o mundo, que nasce a energia revolucionária que nos permite transformar aspirações em realidades.

Muitos poderão hoje, ao mirar o retrovisor da história, questionar algumas das escolhas de Elza, de seu partido, ou mesmo da esquerda.

Numa democracia, tais questionamentos são legítimos e muito bem vindos. Não obstante, o que tais questionamentos nunca terão o condão de diminuir é o valor que se deve dar àqueles que acreditam em seus ideais e se colocam à disposição de um objetivo comum, mesmo que tal busca implique graves sacrifícios pessoais. A morte de companheiros, a tortura, o exílio e a clandestinidade foram o preço muito elevado pago por aqueles que ousaram enfrentar a ditadura. Suas escolhas foram as escolhas possíveis, e o mais importante legado que deixaram para as futuras gerações foi a coragem de optarem pelo caminho mais duro, sem jamais abrirem mão de seus ideais.

A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, em 14 de abril de 2008, reconheceu a história de luta de Elza em uma sessão pública realizada na Praia do Flamengo, no terreno onde fora um dia a sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), destruída pelas forças de repressão da ditadura. Naquela oportunidade centenas de jovens se reuniram e puderam testemunhar dois grandes momentos. Primeiro, puderam ouvir um relato bastante sucinto, embora muito emocionante, do que foi a vida e a luta de Elza. Depois, puderam ver o Estado brasileiro se dirigir a Elza (in memoriam) declarando-a anistiada política e oficialmente desculpando-se para com os atos de arbítrio contra ela perpetrados.

O mais relevante naquele momento, seguramente, foi este reconhecimento público de que jamais será lícito ao poder usar da força para restringir a arena política. O exemplo de Elza – quer concordemos com suas lutas ou não – é o exemplo de uma lutadora social irresignada, que jamais se conformou frente à injustiça, que jamais desistiu de lutar, que jamais deixou de sonhar. Esse é o seu legado: a inabalável convicção de que um mundo melhor é possível e de que é nosso dever construí-lo, valendo-nos da forças e dos meios que detemos.

A segunda edição desta importante obra faz jus à memória de Elza e afigura-se extremamente oportuna no atual contexto nacional. Se o espaço político é locus de disputas, a memória também se constitui em política. O Brasil hoje luta contra o esquecimento, buscando por meio da ativação da memória histórica construir um dispositivo de reflexão e de promoção da democracia e dos direitos humanos.

A presente obra que tenho a honra de apresentar permite, portanto, fazer justiça a uma lutadora incansável, mas, como não poderia deixar de ser ante sua tão proeminente trajetória, igualmente contribui para a reconstrução de nossa memória enquanto nação.

Brasília, janeiro de 2012.


(*) Paulo Abrão é Presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Sessão do Congresso que cassou mandato de Jango é anulada






Deputados e senadores aprovaram na madrugada desta quinta-feira (21), em sessão do Congresso Nacional, projeto de resolução que anula a sessão do Congresso de abril de 1964 que declarou vaga a Presidência da República, no mandato de João Goulart. A medida permitiu o estabelecimento da ditadura militar naquele ano e suspendeu o estado democrático de direito no país por 21 anos (1964-1985).

A proposta sobre a restituição histórica do ex-presidente é de autoria do senador Pedro Simon (PMDB-RS), que fez um discurso emocionado da tribuna da Câmara. “Foi uma das páginas mais tristes do Brasil. Aquela sessão foi ridícula, estúpida, imoral. Quereremos reconstruir a história verdadeira do país”, afirmou. A matéria segue para promulgação, que deve ocorrer em sessão especial.

Jango estava no Rio Grande do Sul quando os parlamentares o destituíram do cargo. João Vicente Goulart, filho do ex-presidente, acompanhou a sessão no Congresso. O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), um dos que apresentou a proposta junto com Simon, avalia que a medida foi um golpe civil, feito por congressistas, e que deu legalidade a um ato inconstitucional. “Hoje repararemos o gravíssimo pecado que esta Casa cometeu contra a democracia. Hoje votamos a favor da democracia e do Brasil”, declarou.

O período também é marcado por graves violações dos direitos humanos, torturas, desaparecimentos e assassinatos de militantes de partidos de esquerda e movimentos sociais contrários ao regime.

O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou que o Legislativo teve a oportunidade histórica de reparar o que chamou de “mancha da história do Brasil”. “Para apreciar a matéria hoje [quinta, 21], há acordo que contou com a participação de praticamente todos os partidos da Casa”, ressaltou.

Único a defender a rejeição da proposta no plenário, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) negou, da tribuna, que a sessão do Congresso Nacional daquela madrugada de 1º de abril para o dia 2 tenha sido ilegal.

Na última semana, os restos mortais de João Goulart foram levados para Brasília de São Borja (RS), cidade natal de Jango, onde foi realizado o trabalho de exumação. O objetivo é verificar se Jango morreu em decorrência de um ataque cardíaco, como divulgado na época, ou se foi envenenado por ordem da repressão brasileira, conforme alega a família dele. A cerimônia fúnebre na base aérea de Brasília contou com a participação de familiares de João Goulart, da presidenta Dilma Rousseff, do ex-presidente Lula e de ministros e parlamentares.

Exilado no Uruguai e na Argentina, Jango morreu em 1976 na cidade argentina de Mercedes. No Brasil, nesse período, a ditadura não permitiu que ele recebesse as devidas honras fúnebres concedidas a um chefe de Estado.



Fonte: Agência Câmara

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Haitianos saem às ruas para pedir renúncia de presidente






Milhares de haitianos pediram nesta segunda-feira (18) nas ruas de Porto Príncipe a renúncia do presidente Michel Martelly e reivindicaram melhores condições de vida no país caribenho, o mais pobre da América.

Os manifestantes, convocados por setores da oposição e seguidos de perto por agentes da polícia e por capacetes azuis da Missão da ONU para a Estabilização do Haiti (Minustah), levavam nas mãos colheres e pratos para pedir alimentos.

A manifestação transcorreu em relativa calma pelos populosos bairros de Bel Air, Dessalines, Delmas e Petionville. Em outra mobilização em Cap-Haïtien (norte), a segunda maior cidade do país, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, segundo a imprensa local.

Também saíram às ruas partidários de Martelly, que, em alguns lugares lançaram objetos e pedras contra alguns dos manifestantes que pediam a renúncia do presidente. Ele assumiu o cargo no dia 14 de maio de 2011.

A mobilização da oposição foi convocada em meio aos recentes incidentes de violência entre manifestantes e a polícia registrados em diferentes pontos do país. Nos protestos dos últimos dias também foi reivindicada a renúncia do primeiro-ministro haitiano, Laurent Lamonthe.
A Minustah expressou no sábado “profunda preocupação” com os fatos.

Em comunicado enviado à imprensa, a chefe da missão, Sandra Honoré, se declarou preocupada "pelo ressurgimento dos atos de violência e assassinatos nos bairros de Cité Soleil e outras áreas do país".



segunda-feira, 18 de novembro de 2013

ONU revela detalhes de abusos da ditadura argentina na Copa de 78






A ditadura argentina escondeu locais de tortura e presos políticos durante a Copa do Mundo de 1978 para dar a impressão de que as acusações contra o regime eram infundadas. As informações constam de documentos oficiais e sigilosos da ONU aos quais o jornal O Estado de S. Paulo teve acesso.

Por Jamil Chade




Jorge Rafael Videla com os jogadores argentinos, em 4 de julho de 1978: vitória sob suspeita.

Brasil de Rivelino vence Polônia e espera ir à final, mas Argentina goleia Peru e supera nos gols


Em cartas de presos e relatos de oficiais da entidade, a ONU constatou que a operação "Limpeza" foi estabelecida durante a Copa para esconder crimes e sequestros de dissidentes. O principal relato foi prestado em 30 de setembro de 1978 ao secretário do Conselho Econômico e Social da ONU, Teodoro Van Boven pelo dissidente Jaime Feliciano Dri.

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Ele havia sido sequestrado no Uruguai, levado para a Argentina e torturado na Escola de Mecânica da Armada (Esma), em Buenos Aires. O local se transformou em símbolo da tortura ao longo do governo militar.

Na Copa de 78, algumas seleções pensaram em boicotar o torneio. Na época, grupos de direitos humanos acusaram a Fifa de chancelar o regime argentino. Diante da discussão, a junta fez campanha para melhorar sua imagem internacional. "Nos primeiros meses de abril, em uma operação chamada Limpeza, levaram um jornalista britânico para mostrá-lo as instalações e para que ele constatasse que era mentira o que se dizia da Esma", relatou Dri.

O preso revelou que outros jornalistas foram levados apenas para um dos andares do prédio, onde os locais de tortura eram transformados em quartos normais. Os prisioneiros eram escondidos durante as visitas. "Os sequestrados eram obrigados a se vestir com uniformes de oficiais e suboficiais da Marinha, alguns da Polícia Federal, para mostrar que ali não era um centro de detenção, só de inteligência contra a subversão", afirmou. Os locais de tortura eram também disfarçados. "As salas foram desmanteladas. As camas de ferro, fixadas no chão, foram arrancadas", disse o dissidente.

Nos meses que antecederam a Copa, o governo decidiu controlar suas fronteiras, temendo a fuga de dissidentes e também para controlar a entrada de membros da oposição de países vizinhos. "Desde o início do ano de 1978, o Grupo de Tarefa da Escola Mecânica da Armada tinha pouca gente. Mas, diante dos feitos da resistência popular, eles decidem lançar uma operação de controle de fronteiras com Bolívia, Paraguai, Brasil e Uruguai, onde realizam sequestros políticos e colaboraram com as Forças Armadas", declarou Dri. Em outros documentos do mesmo ano, delegados da ONU confirmam o endurecimento do governo argentino antes do Mundial, além de ações em outros países.

Em campo, a política também pesaria. A goleada da Argentina sobre o Peru, que deixou o Brasil fora da final, foi cercada de rumores. Há dois anos, denúncias feitas a um juiz afirmam que o resultado foi um pacto entre os militares de Peru e Argentina.

Para disputar a final, os argentinos precisavam vencer o Peru por quatro gols de diferença - fizeram 6 a 0. Em 2011, o juiz argentino Norberto Oyarbide abriu investigações sobre o ex-ditador peruano Francisco Bermúdez e pediu sua prisão por sequestros e assassinatos.

De acordo com o jornal argentino El Tiempo, uma das principais testemunhas do caso, o ex-senador peruano Genaro Ledesma, revelou ao juiz que a goleada havia sido acertada entre os ditadores dos dois países e era parte de um acordo maior de cooperação entre os dois governos. Segundo a versão, o ditador argentino, Jorge Videla, aceitou receber 13 prisioneiros peruanos que, em Lima, lutavam para derrubar o governo. Em troca, Videla pediu que o Peru entregasse a partida.

Ledesma afirma que ele mesmo foi um dos presos negociados na troca. "Videla nos aceitou na condição de que o Peru permitisse a vitória da Argentina na Copa do Mundo", disse. "Ele precisava do triunfo para limpar a imagem da Argentina no mundo."

Ao Estado, um dos presos políticos que esteve na Esma, em 1978, Juan Gasparin, confirma a existência de salas de tortura e o esquema para escondê-los. Segundo ele, no dia da final entre Argentina e Holanda, os militares deram sinais de flexibilidade e colocaram uma TV para que os presos acompanhassem o jogo. "No fim, comemoramos e nos abraçamos", lembra Gasparin. "Mas, naquele clima de conquista, ninguém escutava os gritos dos torturados dentro dos centros de detenção. Estavam todos surdos."

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Direitos territoriais dos povos indígenas são desconhecidos





A Comissão Interamericana de Direitos Humanos concluiu sua 149ª sessão, realizada entre 24 outubro e 8 novembro de 2013, em Washington. A parte do comunicado publicado na sexta-feira (8) referente à situação dos povos indígenas, expressou profunda preocupação pelo desconhecimento generalizado dos direitos territoriais dos povos indígenas no continente.




Direitos indígenas são desconhecidos na América Latina

O documento também reiterou o chamado aos Estados para o cumprimento de suas obrigações de consultar e em seu caso, obter o consentimento dos povos indígenas nas decisões relativas a quaisquer medidas que os afete, de modo prévio, livre e informadas.

Nas audiências realizadas, a CIDH continuou recebendo informações preocupantes sobre a situação dos direitos humanos dos povos indígenas em países distintos da região, vinculada principalmente à persistentes ameaças e impactos dos planos e projetos de desenvolvimento e inversão e de concessões extrativistas de recursos naturais no território de seus ancestrais; a perseguição, estigmatização e criminalização de autoridades ancestrais e líderes indígenas por motivos vinculados à defesa de seus territórios; a falta de implementação de medidas efetivas para a proteção dos povos indígenas nos assentamentos voluntários no Peru; e o impacto do conflito armado nos povos indígenas na Colômbia e sua situação no contexto do processo de paz.

A CIDH colheu informações por parte de representantes de povos indígenas de Honduras, Equador e Colômbia sobre o impacto dos planos e projetos de desenvolvimento, inversão e exploração dos recursos naturais no gozo de seus direitos sobre a terra, o território e os recursos naturais. Segundo revelou, entre os efeitos que tem esses projetos, se contam a profunda degradação do meio ambiente, a destruição do território ancestral, o deslocamento de comunidades inteiras, o surgimento de pessoas não indígenas nos territórios, o envolvimento das estruturas de organização social e em última instância, a extinção física e cultural dos respectivos povos.

A CIDH expressa sua profunda preocupação pelo desconhecimento generalizado dos direitos territoriais dos povos indígenas no continente, apesar da existência de normas interamericanas que obrigam que os Estados membros da OEA velem pelo respeito e garantia dos direitos dos povos indígenas sobre a terra de seus ancestrais e os recursos naturais. Igualmente, é de suma preocupação para a CIDH, observar que representantes de diversos povos indígenas coincidiram em denunciar a existência de uma estratégia de perseguição, estigmatização e criminalização de líderes indígenas, com o intuito de silenciar e amedrontar a defesa de seus direitos sobre a terra, o território e os recursos naturais. Assim, por exemplo, a CIDH recebeu informações sobre o aumento significativo, nos últimos anos, do assassinato e tentativas de assassinatos dos líderes, como represália à luta pela proteção do território dos seus ancestrais. Em virtude disso, a CIDH instiga aos Estados membros a adotarem medidas protecionistas especiais e diferenciadas para prevenir as agressões e hostilidades contra os líderes e os outros indígenas.

Assim mesmo, a Comissão recebeu informações preocupantes sobra a situação dos povos indígenas em asilo voluntário no Peru, cujos territórios estariam sendo ameaçados pela concessão e implementação de concessões extrativistas dos recursos naturais, principalmente de hidrocarbonetos; a realização de extração de madeira legal e ilegalmente; e a incursão não controlada de terceiros. Visto que não contam com defesas imunológicas contra doenças comuns, o contato pode ocasionar não só a perda de sua visa de mundo e identidade cultural, senão também epidemias que podem causar o desaparecimento de povos inteiros.

A CIDH recebe com satisfação a notícia que o Peru conta com uma lei específica encaminhada para proteger os direitos desses povos, "Lei para proteção dos povos indígenas ou originários em situação de isolamento e a situação de contato inicial”. Porém, expressa sua preocupação devido à informação recebida segundo a qual diz que a lei não se adequaria ao princípio de intangibilidade e no contato, e pela falta de implementação efetiva de mecanismos de proteção, tais como postos de controle, protocolos de autuação e punições para quem entrar sem permissão nos territórios.

A CIDH reitera ao Estado peruano o apelo aos Estados Membros da região para garantir o respeito aos direitos humanos dos povos indígenas em isolamento voluntário através de medidas concretas e efetivas dirigidas à proteção jurídica e factual dos territórios de seus ancestrais, e abster-se de realizar ações contrárias a seus direitos.


Exumação de Jango custa menos do que uma ditadura, diz ministra






A ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) disse nesta quarta-feira (13) que a exumação do presidente João Goulart (1919-1976) representa "a retomada do Estado democrático".


"A investigação é uma missão de Estado, humanitária, cumprida com total isenção", disse a ministra sobre a mobilização política prevista para a exumação de Jango.

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Questionada sobre as despesas da exumação, a ministra afirmou que: "custa menos do que uma ditadura, porque essa custou vidas, exílio, significou a morte. Estamos valorizando a democracia".

Além de Maria do Rosário, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também participa da exumação em São Borja (a 581 km de Porto Alegre), na fronteira com a Argentina.

Cardozo chegou por volta das 8h30 ao cemitério e disse que a exumação do presidente João Goulart é uma situação "simbólica" para o Brasil.

"É um momento crucial, simbolicamente muito importante para o povo brasileiro. O fato de os restos mortais serem recebidos com honras de chefe de Estado marca um momento muito importante", falou.

Cardozo afirmou que, caso o envenenamento seja comprovado, o governo ainda vai avaliar que medidas poderão ser tomadas. O ministro se mostrou otimista sobre as chances de um exame conclusivo. "Técnicas modernas podem revelar resultados e levar a conclusões. Vamos deixar os peritos trabalharem e oxalá consigam demonstrar a verdade."


Os restos mortais serão levados na manhã de quinta (14) para Brasília, onde o presidente deposto pelo golpe militar de 1964 será homenageado pela presidente Dilma Rousseff.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Festival Mundial da Juventude discutirá temas políticos







O próximo Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, que se realizará em Quito, Equador, estará centrado no debate político sobre temas como a paz na Colômbia, a educação no Chile e o processo de apoio à revolução cidadã que o presidente Rafael Correa impulsiona.

A presidenta do comitê preparatório nacional da 18ª edição do festival, Luisa Pazmiño, destacou que estes serão os principais temas em debate aos quais serão agregados outros aspectos da política mundial.

O Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, que se realizará de 7 a 13 de dezembro, demonstra que os jovens de esquerda de todo o planeta estão organizados e não se deixam influenciar muito facilmente, afirmou Pazmiño.

De acordo com a jovem equatoriana, a Federação Mundial da Juventude Democrática decidiu em 2012 que o Equador seja a sede do festival juvenil e estudantil em reconhecimento a todas as transformações sociais que vêm ocorrendo no país com a Revolução Cidadã, impulsionada pelo presidente Rafael Correa.

Pazmiño esclareceu que à margem do debate político haverá também uma agenda cultural e esportiva.

Na atualidade os debates sobre a realidade equatoriana e regional, realizam-se nas 24 províncias da nação, por onde já passou a bandeira do festival, em um percurso denominado a Rota dos Mensageiros, utilizados pelos indígenas na antiguidade.

A rota da Costa foi denominada Eloy Alfaro; na Serra e região insular, Hugo Chávez, e a lutadora indígena que cruzou a região Amazônica, Trânsito Amaguaña
.
A mobilização permitiu realizar em cada etapa jornadas pela solidariedade, de ação e reflexão política e cultural com os jovens de cada localidade.

O secretário geral da Federação Mundial das Juventudes Democráticas, Hanoi Sánchez em conversação com a Prensa Latina assinalou que com a convergência de múltiplas juventudes, sobretudo da América Latina, se dará continuidade à integração que regional.

Ficará fortalecida, além disso, a luta pela paz e a soberania de nossos povos, afirmou.

O líder juvenil destacou que os jovens equatorianos se preparam não só do ponto de vista logístico e organizativo para uma bem sucedida festa juvenil internacional, mas também do ponto de vista da formação política.

Hanoi Sánchez considerou que como país sede, os jovens equatorianos têm a imensa responsabilidade de serem os embaixadores da Revolução Cidadã e dos processos que se realizam neste país.

O dirigente comentou detalhes do programa do evento mundial e apontou que em 7 de dezembro será o ato der abertura, embora já desde o dia 6 ocorrerão seminários, conferências e oficinas com temáticas como a luta pela paz e a soberania dos povos, os direitos ao trabalho e as agressões imperialistas a nossos países, entre outros.

Em 13 de dezembro será o encerramento do 18º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, mas além disso será o dia do Equador, para o qual os jovens desta nação se preparam, assegurou.

O magno evento juvenil estará dedicado às figuras do Comandante Hugo Chávez, Eloy Alfaro e Kwame Nkrumah, líder do pan-africanismo ganês que foi eleito como ponte de imbricação e solidariedade já que o festival anterior foi realizado na África, ressaltou Sánchez.


Nuriem de Armas, correspondente da Prensa Latina no Equador

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Ditaduras não podem ser tratadas como assunto do passado na AL





As ditaduras militares vivenciadas na América Latina foram expressões do poder estatal, e não ‘acidentes’ de percurso ou desvio de rotas. Essa é a defesa feita pela pesquisadora Pilar Calveiro, autora de “Poder e desaparecimento”, recém lançado no Brasil pela editora Boitempo.

Por Paulo Pastor Monteiro*, na Opera Mundi




Pátio interior de centro de torturas em Buenos Aires/ Wikicommons

Em entrevista a Opera Mundi, Pilar, que foi sequestrada e ficou presa durante um ano e meio pela ditadura argentina, ressalta que é ‘perigoso’ tratar o regime ditatorial como “assunto do passado”, pois se “esses fatos continuam impunes, é uma permissão para que eles continuem acontecendo”.

A sua análise sociológica das ditaduras avançam ao ponto de, por exemplo, traçar um paralelo direto entre as motivações políticas que levaram à prática dos campos de concentração na Argentina e o presídio de Guantânamo, criado pelos Estados Unidos. “As grandes redes de poder, públicas ou privadas, recorrem à desaparição forçada. Essa prática, de ‘prisões de exceção’, presente em diversos lugares, é administrada e praticada pela CIA e por outras grandes corporações”.

A autora também comenta o papel da Comissão Nacional da Verdade, e não vê a lei da anistia como impeditivo para julgamentos de repressores no Brasil. Ela lembra que, na Argentina, primeiro foi feita uma comissão, que interpretou e documentou os fatos, que depois foram levados à Justiça. Pilar reconhece e identifica, nas mais cruéis práticas da ditadura, a expressão de um projeto político e de poder, e não apenas resultado de um desvio de conduta de um grupo que chegou ao poder. Leia a entrevista abaixo:

Opera Mundi: Em “Poder e desaparecimento”, é construída a ideia de que as ditaduras militares e as suas práticas não são “fatos isolados” ou “acidentes da história”. No caso da Argentina, cita que o sequestro de militantes já ocorria antes da ditadura (1976-1983). Como foi o processo que levou a formação dos campos de concentração e o sequestro de pessoas?

Pilar Calveiro: Acredito que o elemento comum entre o Brasil e a Argentina, e com a maior parte dos países da América Latina, foi o uso da prática da desaparição forçada para reprimir a dissidência, isto aconteceu em praticamente todos os países da nossa região, ou pelo menos na maior parte deles. Se há antecedentes na sociedade argentina, eles se deram em uma lógica diferente da realizada pela ditadura. Há casos de desaparecimentos forçados antes de 1966.

 Existe, por um lado, a existência de grupos paramilitares, como é o casoprincipalmente da “tríple A” (Aliança Argentina Antincomunista), um organismo privado, com a proteção de parte do estado, o ministério do Bem Estar Social, que sequestrava e assassinava pessoas, mas, na maioria dos casos, os cadáveres apareciam. Também ocorreram casos de desaparição forçada, com intervenção militar na província de Tuculmán, em 1975. Há estes antecedentes, mas o que não há é este enorme aparato de desaparecimento que tem cobertura nacional, feito dentro do próprio aparato do Estado e seguindo a estrutura das instituições militares.

Você acredita que é importante que a sociedade discuta esse período? Alguns argumentam que as ditaduras são fatos do passado, que não deveriam ser revirados. Como você vê essa discussão?

Isso não é um assunto do passado, ou seja, apesar dessas coisas terem ocorrido no passado, se esses acontecimentos permanecem impunes, significa uma permissão para que continuem ocorrendo. O julgamento dos crimes contra a humanidade não é uma questão do passado, tem relação com o estado atual da nossa democracia, necessita ser visto como uma questão do presente, do que estamos dispostos a aceitar ou não.

Na Argentina, houve o julgamento dos crimes cometidos durante a ditadura. No Brasil, está em curso à Comissão da Verdade, que estuda este período, mas não vai realizar nenhum julgamento. Qual a diferença na forma como os dois países tratam o seu passado? Quais são os efeitos sobre a organização política dessas sociedades?

Na Argentina, assim como no Brasil, as comissões tiveram um papel semelhante: estabelecer qual é a verdade, investigar e identificar os fatos ocorridos. Posteriormente, pode haver, a partir disso, algum processo que, mesmo não fazendo parte da comissão da verdade, tome conta de discutir a pertinência dos juízos. No Brasil, aconteceu um processo de anistia, mas também há muitos grupos que consideram que esse processo não foi legal e deveria ser questionado. Então, o que aconteceu na Argentina, foi que posteriori as investigações, se deu a decisão política de submeter a juízo aquelas pessoas que estavam envolvidas em delitos contra a humanidade. Houve uma reorganização da sociedade civil, e não somente organizações de familiares, dos sobreviventes, mas também de outros tipos de grupos ligados a memórias. Tudo isso fez com fosse mantida a discussão e a demanda por justiça, a qual se incorpora ao sistema político e logo se chega aos julgamentos que estão atualmente abertos.

Em seu livro, é muito forte a ideia da “retirada da subjetividade” e da “quebra psicológica” dos presos. Por que isso acontecia e qual o peso disso?

Tem um enorme peso porque todo o “sistema concentracionário’’, como aconteceu na Argentina, tem a ver com esse desconstrução da pessoa e da sua condição de sujeito. A primeira coisa é retirar a sua condição mínima de sujeito de direito, logo depois, em lugar de um nome, que é um elemento básico da identidade, ele será chamado por um número, após isso, com um capuz cobrindo o rosto, o sequestrado passa a ser uma pessoa sem nome e nem rosto. Se proíbe também o contato entre prisioneiros e o direito de se comunicarem uns com os outros, por meio disso é retirado o direito a palavra, que é um dos signos mais claros da humanidade. Dessa maneira se retira a dignidade, pois com essa pessoa se pode fazer qualquer coisa, até que finalmente lhes tiram a vida. É um ambiente no qual se vai o expropriando os rastros de humanidade da pessoa, isso é parte do objetivo do campo de concentração que é a destruição do sujeito, antes da sua destruição física e o desaparecimento dos seus corpos.

Você faz algumas comparações entre os campos da Argentina e da Alemanha, o controle sobre a vida, a remoção da subjetividade. No que eles eram semelhantes e no que eram diferentes?

Eu tomo as semelhanças do caso argentino com o dos alemães - de onde retiro o conceito de campo de concentração - porque são um conjunto: uma constelação de espaços, em diferentes partes do território, administrados pelo Estado, que funcionam como lugares de concentração e extermínio de prisioneiros. Neles se pode realizar qualquer coisa, ou seja, se utiliza práticas ilegais e funcionam como lugares de exceção, em que não há direitos, pois as pessoas perdem sua condição de sujeito. Essas são algumas características principais que conectam essas instituições tanto na Argentina como na Alemanha.

Há também as diferenças importantes com o modelo do nazismo, com o sistema de alojamento e a prática de trabalho forçado, que extenuava e muitas vezes levava o prisioneiro à morte. No caso argentino isso não ocorreu, o que existiu foi a separação física, ao vendar os olhos, o rosto e impedir a comunicação verbal e, em lugar de trabalho, a imobilidade mais absoluta. São formas diferentes, mas, ainda sim, meios de anular o sujeito, a sua dignidade, sua individualidade e sua força física. O isolamento, a imobilidade e a obstrução da comunicação são pontos que o modelo argentino mantêm em comum com sistemas de prisão contemporâneos como o caso Guantânamo.

Ao citar essas semelhanças, entre Guantânamo e as práticas da ditadura argentina, você acredita que os princípios por trás do poder de desaparecer com pessoas ainda estão vigentes?

Os Estados Unidos e as grandes redes de poder global públicas e privadas, o que significa falar do uso de aparatos estatais e de grandes corporações, recorrem a desaparição forçada, portanto, esse é um princípio que tem se mantido. Também está vigente algo que podemos denominar como “modelo concentracional”, que relação não só com Guantânamo, mas com todos esses grandes lugares de prisões clandestinas, operados principalmente pela CIA, mas também por aparatos de inteligência de estados europeus. Eles funcionam em diferentes lugares do mundo e são espaços de sequestro, com a retenção clandestina de pessoas, pois estão fora de toda proteção dos direitos humanos, muitas vezes nem se pode saber seus nomes e acesso à advogados, Em Guantânamo, faz pouco tempo se começou a pensar no acesso a advogados, mas, por muito tempo, nem sequer se soube quem estava lá. Estas instituições têm vinculação com o desaparecimento forçado e também com uma atualização do poder concentracionário, que continua sendo um problema importante na sociedade atual.

Alguns militares usavam como justificativa a máxima de que apenas “cumpriam ordens”. Você pode explicar o pensamento por trás dessa ideia e também porque a fragmentação das funções dentro do campo de concentração eram consideradas tão importantes? As pessoas envolvidas no processo, na verdade, não deveriam ser consideradas "responsáveis" ou "culpados"?

Eu acredito que esse processo de fragmentação das responsabilidades, que aconteceram no sistema repressivo argentino, é algo que é característico de todos os modelos burocráticos onde há uma forte divisão das funções dentro dos aparatos do Estado, cada parte cumpre uma função. Assim ninguém se sente responsável pela totalidade dos acontecimentos, a não ser as “cabeças”, que são aqueles que dão as ordens. Creio que isso ajuda a diluir a responsabilidade, apesar dela nunca desaparecer ao todo. Ajuda com que cada uma das pessoas que compuseram esse aparato, se sinta parcialmente responsável, mas ninguém se sinta totalmente responsável. Outro dispositivo utilizado era fazer com que todos os membros da força de segurança participasse de alguma maneira, isso também foi uma forma de fazer com que todos fossem parte e nesse sentido é quase o mesmo que ninguém fizesse parte, ou seja, distribuindo-a, pretende-se diluí-la, mas a responsabilidade permanece.


* é jornalista

“Cárcere não é lugar de gente”






Movimentos sociais e organizações ligadas a direitos humanos apresentaram na última semana uma proposta ao governo federal pedindo a diminuição do número de presos no país. Em documento entregue ao governo, eles pedem a diminuição das chamadas detenções cautelares, o fim da privatização de presídios e a desmilitarização da Polícia Militar.

Por Piero Locatelli*, na Carta Capital

Entre os signatários estão Mães de Maio, Pastoral Carcerária Nacional, Instituto Práxis de Direitos Humanos e o grupo Margens Clínicas.

Os movimentos criticam o aumento no número de presos no país e a degradação do sistema prisional. “Apesar das centenas de tipos penais constantes da legislação, cerca de 80% da população prisional está presa por crimes contra o patrimônio (e congêneres) ou pequeno tráfico de drogas. Apesar da multiplicidade étnica e social da população brasileira, as pessoas submetidas ao sistema prisional têm quase sempre a mesma cor e provêm da mesma classe social e territórios daquelas que, historicamente, estão às margens do processo civilizatório brasileiro: são pessoas jovens, pobres, periféricas e pretas.”

Outra das críticas dos movimentos refere-se ao aumento da proporção de mulheres nos presídios. “O recrudescimento da população prisional feminina deriva da assunção por centenas de milhares de mulheres pobres (quase sempre negras) de trabalhos precários e perigosos na cadeia de comercialização de psicotrópicos, tornando-as principal alvo da obtusa guerra às drogas, eis que mais expostas e vulneráveis.”

Menos cidadãos na cadei

Entre as propostas do grupo, está a revogação do programa nacional de apoio ao sistema penal. Criado em 2011, ele visava zerar o déficit de vagas femininas e reduzir o número de presos em delegacias. “A superlotação não deriva da ausência de políticas para a construção de presídios (nos últimos 20 anos, o Brasil saltou de 60 mil vagas para 306 mil vagas prisionais), mas sim das prisões abusivas, ilegais e discriminatórias executadas contra as pessoas mais pobres desse país e do exagerado investimento em políticas repressivas em detrimento de políticas sociais,” diz a proposta dos movimentos. Ao invés de um aumento no número de vagas, os movimentos propõe um pacto para reduzir a população encarcerada no país.

Outro pedido dos movimentos é a redução das chamadas prisões cautelares. “Apesar de vigorar no Brasil o princípio constitucional da presunção de inocência, cerca de 43% da população prisional ainda não tem condenação definitiva.” Eles também propõe o fim das detenções por porte de drogas, que “traz impactos imensos ao sistema carcerário e é determinante na construção de carreiras criminais entre jovens pobres das periferias.”

Os movimentos ainda pedem o aumento da participação da sociedade no sistema carcerário. “Atualmente, o acesso ao cárcere é quase que circunscrito às atividades de assistência religiosa e, de maneira completamente precária e instável, a atividades acadêmicas e humanitárias, sempre dependentes da autorização do Poder Executivo.”

*Piero Locatelli é repórter do site de CartaCapital.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Documentos revelam ligação de Clarín com a ditadura na Argentina





Dentre os 1,5 mil documentos da ditadura argentina, descobertos na semana passada e divulgados pelo governo argentino na terça-feira (5), diversos revelam que a junta militar nos anos 70 ajudou as empresas jornalísticas Clarín e La Nación a comprar parte da Papel Prensa, maior empresa de papel-jornal do país.

Alguns documentos tratam da detenção da família Graiver, dona da fábrica de papel de jornal Papel Prensa. O ministro da Defesa da Argentina, Agustín Rossi, anunciou a descoberta de registros relacionados à empresa, que tem como sócio majoritário o Clarín, com 49% das ações; o La Nación, que tem 22,5%; e o Estado, com 27,5%.

O ministro disse que, segundo os documentos, os donos das empresas jornalísticas teriam ligação com a ditadura e por isso conseguiram comprar a fábrica dos Graiver. A revelação foi feita em meio à disputa entre o governo argentino e o grupo Clarín (o maior conglomerado de mídia do país).

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Em 2010, a presidente Cristina Kirchner afirmou que a venda da empresa foi ilegal. O governo chegou a apresentar um documento como prova de que a negociação teria ocorrido em meio a ameaças, torturas e prisões dos membros da família Graiver. O Estado entrou com ação na Justiça contra o Clarín e o La Naciónpor "crime contra a humanidade". 

Segundo informações publicadas na época, os grupos Clarín e La Nación afirmam que a negociação foi feita de forma legal e antes de terem acontecidos as prisões e torturas.

O Supremo Tribunal acaba de declarar a constitucionalidade da Lei de Meios, aprovada em 2009, que limita a atuação dos grandes grupos de comunicação. O Grupo Clarín (principal voz opositora ao governo) recorreu à Justiça, alegando que a nova legislação feria os direitos adquiridos e censurava a informação. Com a decisão do Supremo, a empresa apresentou um plano de adequação (que inclui a venda de ativos) que será examinado pela Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual (Afsca), responsável pela aplicação da lei.

Descoberta

No total, são 1,5 mil documentos inéditos, 280 deles com as transcrições de gravações das reuniões da junta militar que governou o país entre 1976 e 1983. Os arquivos foram encontrados em uma “limpeza” pedida pelo chefe da Força Aérea, brigadeiro Mario Callejo.

"Encontramos seis pastas com atas secretas da junta militar”, disse o ministro da Defesa.

Até agora, a maior parte das informações sobre o chamado “processo de reorganização nacional”, surgiram de investigações feitas pela Justiça ou de denúncias de sobreviventes ou de parentes e amigos das vítimas. Mas os chefes das juntas militares, processados e julgados, nunca forneceram detalhes de como planejaram atuar.

Desaparecidos

Nos documentos verifica-se que os militares registraram pedidos de parentes e amigos de pessoas que haviam sumido nos porões da ditadura, mas davam instruções para evitar o uso da palavra “desaparecido”. Preferiam falar em “pessoas de paradeiro desconhecido”. Havia também uma lista negra com nomes de artistas e escritores famosos (como Mercedes Sosa e Julio Cortázar) e discussões sobre a disputa com o Chile pelo Canal de Beagle (que quase acabou em guerra).


Com informações da Agência Brasil e Prensa Latina

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Governo do Uruguai está convencido a legalizar a maconha






O governo do Uruguai agradeceu nesta terça-feira (5) qualquer "contribuição" ao debate sobre a descriminalização da produção e venda de maconha, em resposta à chegada ao país de uma missão brasileira que tem por objetivo argumentar contrariamente à mudança na legislação uruguaia.

O secretário da Presidência e presidente da Junta Nacional de Drogas, Diego Cánepa, disse que "todas as opiniões são uma contribuição", ao ser consultado pela imprensa sobre a visita da delegação do Brasil durante apresentação de um relatório sobre cooperação internacional no Uruguai.

No entanto, realçou que "há um convencimento do governo para não insistir em uma política que até agora não deu os resultados esperados".

Uma delegação oficial brasileira se reuniu nesta terça-feira (5) com parlamentares uruguaios para advertir dos riscos para o país e a região da legalização de compra, venda e cultivo de maconha.

A delegação é liderada pelo deputado federal Osmar Terra, médico, ex-secretário de Saúde do estado do Rio Grande do Sul.

Cánepa também comparou o projeto de lei, já aprovado na Câmara dos Deputados e que deve ser ratificado no Senado este mês, com as restrições ao consumo de tabaco implementadas no país nos últimos anos.

"O tabaco é a segunda droga mais consumida no Uruguai, e quatro mil uruguaios morrem por ano de doenças relacionadas com o tabagismo. A solução é proibir o cigarro e perseguir os fumantes como delinquentes?", se perguntou.

"Não, a solução passa por um mercado fortemente regulado que proíbe a publicidade, que estabelece claramente quem pode vender, com uma fiscalização muito forte e com políticas muito restritivas e de controle de mercado. Achamos que este é o caminho a seguir também com a maconha", argumentou.

Explicou que no Uruguai "não está se criando um comércio livre da droga, mas um mercado muito restrito em nível local, com um controle do Estado muito forte, porque o objetivo é tratar o consumo e a dependência".

No Senado o controvertido projeto de lei conta com votos suficientes para aprovação já que o governo é maioria na casa. A legislação poderia entrar em vigor antes de dezembro, depois de ser sancionada pelo presidente José Mujica, que foi um de seus impulsores.

A iniciativa estabelece a criação de um ente estatal reguladora encarregada de emitir licenças e controlar a produção e a distribuição da droga.

Os consumidores previamente registrados poderão comprar maconha em farmácias especialmente determinadas, até o máximo de 40 gramas por mês, ou cultivar em casa até seis plantas que produzam não mais de 480 gramas por colheita.

Fonte: Opera Mundi

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Mercedes Sosa é citada em documento inédito da ditadura argentina






Mercedes Sosa era considerada "perigosa ao regime" durante a ditadura militar na Argentina.

A Argentina divulgou nesta terça-feira (5) a descoberta de arquivos secretos da ditadura militar no país. Chamados de "lista negra", os documentos apontam artistas e personalidades da sociedade argentina como "perigosos ao regime". Dentre eles, Mercedes Sosa (uma das cantoras mais influentes do século 20) foi vigiada pelo governo. No total, são 1,5 mil documentos inéditos, 280 deles com as transcrições de gravações das reuniões da Junta Militar que governou o país entre 1976 e 1983.
O ministro da Defesa da Argentina, Agustín Rossi, informou que a documentação foi encontrada na semana passada acidentalmente durante a limpeza do edifício Condor, em Buenos Aires, onde funcionam dependências da Força Aérea Argentina. "Encontramos seis pastas com atas secretas da Junta Militar”, são documentos do período que vai de março de 1976 a dezembro de 1983. A “lista negra" que a ditadura guardava continha o nome de, pelo menos, 331 artistas e jornalistas, disse Rossi.

“É a primeira vez que encontramos uma documentação a partir da informação de um dos chefes das três forças armadas, neste caso do chefe da Força Aérea, o brigadeiro Mario Callejo”, afirmou Rossi em entrevista para a Rádio América. Ele também assinalou a importância o valor “histórico” das atas na reconstrução dos feitos ocorridos durante a ditadura argentina.

Segundo informações da agência Télam, durante o ato de apresentação dos documentos, Rossi advertiu que “a justiça decidirá se, além do valor histórico, têm valor jurídico para as causas que estão sendo julgadas na Argentina”. Os arquivos estão sendo analisados pela Direção de Direitos Humanos de Defesa.

Também foram encontrados três livros de recepção, onde estavam as comunicações para as forças militares, como pedidos de famílias que queriam saber do paradeiro de seus filhos desaparecidos.

“Lista negra”

A “lista negra” inclui militantes políticos, sindicalistas, músicos, jornalistas e intelectuais. Os arquivos contêm nomes como “Norma Aleandro, Héctor Alterio, Osvaldo Bayer, Julio Cortázar, Horacio Guaraní, Víctor Heredia, Federico Luppi, Osvaldo Pugliese, Mercedes Sosa e María Elena Walsh”, mencionou Rossi. Segundo ele, os nomes eram classificados em quatro níveis de “periculosidade”.

“Em 1989 havia 331 pessoas qualificadas em distintas categorias, do F1 ao F4 segundo grau teórico de perigo”, revelou o ministro, que não confirmou em que patamar se encontrava Mercedes Sosa.

Fonte: Opera Mundi

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

México: Campanha quer diminuir violência contra mulher indígena






Pesquisa recente aponta que 21,6% das mulheres indígenas Rarámuris da província de Chihuahua, no México, admitiram ter sido vítimas de violência. Segundo dados do Instituto da Mulher Chihuahua (Ichmujer) e da Comissão Nacional para o Desenvolvimento dos Povos Indígenas (CDI), 33,5% das indígenas dizem que necessitam de apoio para prevenir a violência dos homens contra as mulheres.

Dados complementares, que surgiram espontaneamente nas respostas das indígenas idicam que cerca de 9% precisa de ajuda para prevenir a violência de mulheres para homens e 16,9%, para prevenir a violência contra mulheres e crianças.
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Para combater esta situação, o Ichmujer CDI está promovendo oficinas de disseminação onde as vítimas de violência reproduzem às demais o que aprenderam em suas comunidades. Com a presença de mulheres e homens das comunidades indígenas Basigorovo e San Elias, o workshop intitulado "Por que homens e mulheres são como são", percorreu escolas e entidades comunitários. As oficineiras do Instituto da Mulher Chihuahua são treinados desde 2006 para conscientizar sobre a violência doméstica entre os indígenas, são supervisionadas pelo Departamento de Educação e Sensibilização em Gênero do Ichmujer, apoiado pelo Fundo da Comissão Nacional para o Desenvolvimento dos Povos Indígenas, com ações que vão à raiz do problema para que possa ser realmente transformadoras.

Mulheres rarámuris ficaram conhecidas em 2012 devido a um episódio de escravidão moderna, pois devido à seca na região de Chihuahua migravam para trabalhar como diaristas e trabalhavam até 13 horas por dia debaixo do Sol. Eram milhares de mulheres afetadas pela seca (em sua maioria indígenas) procedentes da serra Tarahumara, no noroeste de Chihuahua e dos Estados de Hidalgo, Sonora, Veracruz, Guerrero e Durango, abandonam suas comunidades de origem para trabalhar em condições de exploração nos campos agrícolas do noroeste de Chihuahua.


Fonte: Adital

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

USP mantém demissão de professora sequestrada pela ditadura





O Departamento de Química da Universidade de São Paulo (USP) sediou terça-feira (29) uma audiência pública da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”, que tratou dos casos de Ana Rosa Kucinski, Wilson Silva e Issami Nakamura Okano. Os três são desaparecidos políticos pelo Estado na ditadura e nunca tiveram seu paradeiro completamente desvelado.



A professora Ana Rosa Kucinski era docente do Departamento de Química da USP e tinha 32 anos quando desapareceu, no dia 22 de abril de 1974, sequestrada por agentes da ditadura brasileira. Tudo leva a crer que ela foi pega junto com seu marido, Wilson Silva, que era físico. Ambos eram membros da Ação Libertadora Nacional, a ALN.

Diante do sumiço, a família de Ana Rosa impetrou um habeas corpus, mas o AI-5 havia abolido o instituto do HC para prisioneiros políticos. A família iniciou então uma investigação para saber do paradeiro da filha, até hoje não esclarecido pelo Estado brasileiro, que ainda mantém em segredo muitos documentos da ditadura.

O relatório apresentado pela Comissão afirma: “O pai de Ana Rosa lutou incansavelmente para obter alguma informação e se tornou um símbolo da luta dos familiares. Chegou a entregar uma carta ao general Dilermando Gomes Monteiro, comandante do II Exército, mas este nunca a respondeu. As famílias pediram informações ao Departamento de Estado do governo norte-americano sobre o destino dado ao casal, que respondeu por meio da America Jewish Communitee e do American Jewish Congress. A resposta recebida foi a de que Ana Rosa ainda estaria viva, presa em local desconhecido, mas sobre Wilson Silva nada sabiam. A última informação do Departamento de Estado foi transmitida à família em 18 de dezembro de 1974.”

Segundo testemunhos dados por colegas contemporâneos de Ana Rosa na sessão desta terça (29), ela nunca fez nenhum tipo de proselitismo político. Todos afirmaram até mesmo desconhecer o fato de ela pertencer à ALN, algo que ela mantinha de maneira muito reservada, provavelmente por segurança.

O irmão de Ana Rosa, o também professor da USP, Bernardo Kucinski, também deu seu depoimento. Ele começou falando que estava “exausto disso tudo, é praticamente meio século”. Segundo o professor, “cada familiar vivencia isso de um jeito”, e um dia, pensando sobre isso, ele diz que sentiu que “isso não acaba nunca. E também, para o país, não acaba nunca. É uma coisa que está aí, escondida, e não se resolve nunca.” Para ele, é algo que “fez muito mal e está fazendo muito mal para o povo brasileiro, por isso seria importante fazer alguma coisa”.

Bernardo tocou no ponto que é mais sensível e que é principal objeto de demanda da família, que é o cancelamento da demissão por abandono de função de Ana Rosa, visto que todos sabiam, inclusive a Reitoria e o Departamento de Química, que ela havia sido sequestrada pela ditadura, numa postura de conivência com o regime militar. O professor explicou que a assessoria jurídica da Reitoria produziu um parecer jurídico de quase cem páginas, “em que reconhecia que deveria ser cancelada a demissão mas que justificava sua posição anterior”. “Ou seja, não há autocrítica, não há reconhecimento da conivência de seus agentes e de professores com a repressão”.

O professor ainda comentou que esteve na Alemanha, onde lançou seu livro K. (Editora Expressão Popular), e pôde comparar como eles lidaram lá com o nazismo e como nós lidamos aqui com nosso passado. Segundo ele, “a solução encontrada pelo povo alemão foi repudiar totalmente tudo que foi feito pelo nazismo, se dissociar, denunciar e trabalhar continuamente a questão”.

O livro de Kucinski narra a saga de seu pai para investigar o que aconteceu com a filha. No livro, ele avisa que “tudo é inventado, mas quase tudo aconteceu de verdade”. Sobre o livro, eis aqui algumas das palavras da professora Maria Vitória Benevides, que também esteve na audiência:

“Um jovem casal, ela química, professora na Universidade de São Paulo, ele físico trabalhando em uma empresa, desaparece sem deixar o menor sinal. Pânico na família e nas amizades, buscas incansáveis, qualquer fiapo de informação reacendendo esperanças, sofrimento indizível com a agonia da incerteza.

Mais tarde a realidade se impôs, trágica e definitiva: eram militantes da resistência e tinham sido sequestrados, torturados e assassinados. Talvez na "Casa da Morte", em Petrópolis?

Nada foi confirmado e eles continuam na lista dos "desaparecidos".

Desaparecidos, mas não olvidados. (...)

Na leitura, convivemos com as providências desesperadas da família, apelando no país e no exterior e aqui tendo que lidar com agentes da repressão, com informantes, com extorsões, com a mentira, o escárnio, a humilhação, a covardia, a crueldade. (...)” (do site da editora)

O assessor jurídico da Comissão da Verdade, Renan Quinalha, disse que a Comissão tentou fazer “duas vezes essa audiência convidando, que é o que permite a resolução que criou a Comissão, os gestores da Universidade de São Paulo, para comparecer à Assembleia, prestar os esclarecimentos e avançar na apuração sobre as violações de direitos humanos que foram cometidas contra Ana Rosa, mas em nenhuma delas tivemos êxito”. Segundo ele, o parecer jurídico mencionado por Bernardo Kucinski “não tem nenhum efeito reparatório, é uma tentativa de blindar a universidade para que não haja nenhum efeito jurídico”.

Outro que falou foi o professor Fábio Konder Comparato, e afirmou que ouvidos tais depoimentos, era preciso que houvesse “uma resolução, para que os responsáveis, ainda em vida, paguem”. “Eu quero denunciar o fato de que as classes dominantes no Brasil têm, tradicionalmente, duas caras”, disse ele, “a primeira externa, bonita, civilizada, gentil, afável, que se transforma num sistema jurídico, que encobre todos os horrores que se passam por trás”.

Ele explicou que a situação de violações de direitos humanos no Brasil foi muito diferente do que aconteceu em outros países do Cone Sul. Segundo ele, na Argentina, onde “mais de vinte mil pessoas foram mortas, a maioria jogada no mar”, o que aconteceu depois do término do “regime terrorista” foi muito diferente, pois os responsáveis foram “sistematicamente processados e já há mais de 200 pessoas condenadas, inclusive dois ex-chefes de Estado”.

Konder disse então que até hoje, no Brasil, nenhum agente do regime militar foi sequer investigado criminalmente. Segundo ele, “depois de terminado o regime empresarial-militar, todos, absolutamente todos os governos deram mão forte aos militares e mais do que isso, viveram de mãos dadas com o grande empresariado”. O professor ainda contou que a Lei da Anistia brasileira – ou a interpretação dela dada pelo STF, que anistia também os agentes da ditadura – foi julgada como inválida, por unanimidade, pela Corte Interamericana de Direitos Humanos em 24 de novembro de 2010, quando também condenou o Estado brasileiro por graves violações de direitos humanos.

O professor contou que essa sentença condenatória produziu um rol de 12 itens a serem cumpridos. Em resposta a provocação feita pelo Conselho Federal da OAB ao Ministério da Justiça, sobre como estava o andamento do cumprimento dos 12 pontos da sentença, o Ministério respondeu apenas sobre um dos pontos, “e ainda parcialmente”.

Última a falar na audiência, a professora Maria Vitória Benevides disse que considera “absolutamente intolerável que até hoje persista aquela marca da covardia e da indignidade da congregação desse Instituto de Química ao declarar Ana Rosa Kucinski culpada de abandono de função, sabendo perfeitamente que isso não era verdade”. Segundo ela, sobre o papel de se resgatar a memória da história, “não queremos Talião nem perdão, queremos verdade e justiça”.



Fonte: Carta Maior