domingo, 22 de setembro de 2013

Comissão da Verdade: Batalhas da memória





A historiadora Dulce Pandolfi arranca aplausos no Festival de História ao falar sobre o depoimento prestado à Comissão da Verdade, em que acusou o Estado brasileiro de culpado pela tortura cruel que sofreu durante a ditadura civil-militar

Por Alice Melo

A memória é um campo de disputa. E de disputas, Dulce Pandolfi, historiadora e professora da Fundação Getúlio Vargas, entende muito bem. Em maio deste ano, duelou consigo mesma para chegar ao texto final do depoimento lido em sessão realizada pela Comissão da Verdade do Rio de Janeiro. “Sou parte dos arquivos da repressão, fui torturada e presa pelo regime militar”, relatou na tarde desta sexta (20), em debate no Festival de História, em Diamantina (MG). Ela conta que, ao ser convidada pelo evento para falar sobre relações entre história e memória, decidiu preparar um discurso em primeira pessoa, relatando a construção de seu testemunho no presente, tendo em vista que ele se tornaria um documento público para o futuro.

“Eu, como historiadora, trabalho com batalhas da memória e, ao fazer meu depoimento, queria, nessa batalha, derrotar aquela batalha que diz que a tortura existiu apenas como excesso de alguns militares. E queria também ir contra uma posição que me incomoda muito, que é a posição de vítima”, afirma.

Para evitar se enquadrar neste papel, Pandolfi tomou uma posição ofensiva e acusou o Estado brasileiro como culpado pela tortura que sofreu entre agosto de 1970 e dezembro de 1971. Foi um processo tortuoso.

“Me vi diante de várias armadilhas”, observa. “Já tinha dado vários depoimentos sobre minha tortura. Mas, ali, eu me lembrei de coisas que não tinha me lembrado. As cores, os odores, os sons. Porque nunca trabalhei tanto em um relato, fiquei 15 dias remoendo aquilo. A memória começa a selecionar coisas que nunca tinha trazido”. 

O testemunho da historiadora à Comissão foi aplaudido de pé e teve grande impacto na sociedade, repercutido pela imprensa. Na ocasião, Pandolfi fez pausas, se emocionou. Contou que foi presa e levada para um quartel do Exército brasileiro e fez questão de ressaltar que aquilo não era um “porão da ditadura”, mas uma instituição oficial “que funcionava a todo o vapor”. Lá, foi submetida a diferentes formas de tortura, como “pau de arara”, choques elétricos, afogamento e, certa vez, chegou a ter um jacaré andando por seu corpo nu.

Mas o desprendimento em falar sobre a violência que sofreu é recente. Ao lado da historiadora Heloísa Starling, na sessão do Fhist, Pandolfi lembra da primeira vez em que seu caso veio à tona. Era 1994 e um jornalista a procurou para uma entrevista. “Achei que ele ia fazer uma entrevista sobre 1964 e, quando chegou lá, tive a surpresa e perplexidade que a entrevista era sobre mim”. Em 1992, os arquivos da repressão tinham sido abertos e ela conta que nunca passou pela cabeça fazer uma busca para ver o que a Polícia Política havia registrado sobre ela – e se havia nestes arquivos alguma coisa. “O jornalista queria me pedir autorização para publicar no jornal Estado de S. Paulo um laudo do IML em que se demonstra o meu estado depois da tortura. Aquilo caiu como uma bomba. Como posso deixar publicar uma coisa dessas? E meus filhos? Minha família?”, conta.


A professora diz que precisou de uma semana para pensar e se viu em um dilema ético, já havia sido comunista durante anos de sua vida: como negar à população acesso à informação? No fim das contas, decidiu autorizar e o choque foi tremendo. À época, o assunto ainda era mais silenciado do que hoje.

Esta foi quase a mesma decisão que levou a professora a elaborar, com todo cuidado, seu depoimento à Comissão da Verdade, neste ano. “Foi feito com um sofrimento monumental. Eu me sentia muito responsável, são 40 anos como historiadora e estava falando na Comissão que eu tinha batalhado para que fosse construída”, lembra. E faz questão de reforçar que defende com unhas e dentes a ideia de que a tortura, no Brasil, foi uma política de Estado e não “excessos de alguns militares”, conforme aponta boa parte da historiografia sobre o assunto e também as Forças Armadas. “A tortura foi decidida e arquitetada, dentro dessa estrutura civil-militar, que tomou o Brasil depois de 64”.


Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional

Documentos oficiais negam a existência dos "porões da ditadura"






Toda a estrutura de repressão política na ditadura militar brasileira foi planejada e obedecia a uma ordem de comando

Com base em documentos oficiais, alguns compilados da Comunidade Setorial de Informações do Ministério da Marinha, e que foram apresentados na tarde da sexta-feira (20), durante uma audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo, a Comissão da Verdade do Estado de São Paulo concluiu que toda a estrutura de repressão política na ditadura militar brasileira foi planejada e obedecia a uma ordem de comando.
“A cadeia de comando mostra que não existia vontade própria. Se o torturador resolvesse matar, não obedecendo à cadeia de comando, ele seria punido. Pela cadeia de comando vê-se que do ditador, que era supostamente o presidente [da República], até o torturador, que estava lá na ponta, todos tinham uma sequencia de comando. Obedeciam ordens e obedeciam orientações. E quem estava embaixo prestava contas do que fez”, disse Seixas.

Segundo o coordenador da comissão, não houve situações durante a ditadura militar brasileira em que alguém pudesse ter sido preso, torturado ou morto sem conhecimento da cúpula. “Todos sabiam. Isso é um fato. Essa estrutura não foi algo que nós concluímos. É um documento da repressão no qual está escrito que todos [os órgãos] vão se reportar ao SNI [Sistema Nacional de Informações], que se reporta ao presidente da República. Então, não existe uma coisa em que, em um determinado local, fizeram algo e não comunicaram porque senão estariam subvertendo a hierarquia”, explicou Seixas.

Durante a audiência pública de hoje, que teve a presença de Rosa Cardoso, membro da Comissão Nacional da Verdade, e do vereador Gilberto Natalini, presidente da Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, Seixas apresentou um organograma da ditadura militar, estrutura que observou em um documento da Marinha, e que definiu o SNI como o órgão central da rede repressiva, ao qual todos os demais órgãos respondiam.

“A expressão porões [da ditadura] queria significar que acontecia alguma coisa em níveis subalternos e níveis inferiores que o comando, os governantes e os presidentes [da República] não tinham conhecimento e não desejavam. O que se comprova é que essa política foi planejada desde cima, desde uma cúpula, desde o SNI, com o presidente da República. É claro que houve um mínimo de autonomia na execução, como existe em relação a qualquer trabalho. As pessoas que são as executoras interpretam de uma forma ou de outra, mas havia o planejamento centralizado e hierárquico, vindo da cúpula”, disse Rosa Cardoso.

O SNI era o órgão de cúpula do Sistema Nacional de Informações (Sisni), composto por vários centros de informações que funcionavam dentro da Aeronáutica, da Marinha e do Exército e tinha um braço também no exterior, controlando a atuação dos exilados e banidos do país. Dentro de sua estrutura, o Sisni era composto também pelos centros de operações de Defesa Interna (os Codis), órgãos de planejamento e de comando da estrutura militar de repressão no país, e das divisões de Segurança e Informação (DSI), serviço secreto específico para cada área de atuação. Os DSIs, por exemplo, eram responsáveis por vigiar os funcionários públicos e cidadãos brasileiros, detectando os “possíveis inimigos do regime” e funcionavam dentro de cada ministério do regime, seja ele militar ou civil.

Dentro dos DSIs, por exemplo, estavam as assessorias de Segurança e Informação (ASIs) ou assessorias especiais de Segurança e Informação (Aesis), que eram seus braços operacionais. Essas assessorias funcionavam dentro de empresas estatais, autarquias e até mesmo universidades.

“As Aesis eram parte da estrutura de repressão. Nos ministérios existiam as DSIs, que eram a divisão de segurança e informação. Todos os ministérios tinham [as DSIs]. Nas suas instâncias inferiores - tais como empresas, autarquias e universidades - haviam as ASIs”, explicou Seixas. “A Aesi da Universidade de São Paulo [USP] era parte da cadeia do Ministério da Educação. Então, tudo se reportava ao Ministério da Educação. Os caras que faziam a vigilância, por exemplo, de estudantes que eles achavam que eram agitadores e de professores que eram cúmplices, reportavam tudo isso para o aparelho de repressão”, falou.

Para Rosa Cardoso, a Comissão Nacional da Verdade precisa promover um encontro entre as diversas comissões da verdade que foram montadas pelas universidades de todo o país. “Acho que a Comissão Nacional tem que fazer um encontro com essas comissões das universidades assim como fará, na próxima semana, um encontro com as comissões oficiais estaduais e municipais. Temos também que conversar com as comissões das universidades para que elas nos mandem documentos e informações para que possamos inclui-los no nosso relatório”, disse.

Dentro da estrutura do Sistema Nacional de Informações existia também as comunidades complementares de informações. Algumas destas comunidades complementares pertenciam a entidades privadas que foram selecionadas para colaborar com o regime no que fosse solicitado. “Havia comunidades complementares nos governos estaduais, como o Dops e a Polícia Militar, e nos municipais. Mas nas comunidades privadas tinha uma estrutura que não está determinada porque não tinham documentos oficiais”, disse Seixas.

“Não existem porões da ditadura”, concluiu Ivan Seixas, um dos coordenadores da Comissão Estadual da Verdade. Segundo ele, existia uma “ligação umbilical” entre empresas privadas e o aparato de repressão e a Comissão Estadual da Verdade, da qual ele faz parte, está tentando obter documentos que comprovem e expliquem melhor essa ligação entre o regime e as empresas.

Durante a audiência, o vereador Gilberto Natalini pediu que a Comissão Nacional da Verdade possa ouvir o delegado da Polícia Civil Laertes Aparecido Calandra, um dos agentes repressores do regime. Em resposta, Rosa Cardoso disse que a comissão vai ouvir Calandra e deve voltar também a ouvir o coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra. ”O Calandra será ouvido pela Comissão Nacional e pela Comissão Municipal. Vamos emprestar e usar nosso poder de convocação, que permitem a condução coercitiva, caso o convite não seja atendido”, disse. Rosa Cardoso disse que o depoimento de Calandra à Comissão Nacional da Verdade deve ocorrer até o final deste ano.

Natalini também disse que, na próxima segunda-feira, a Comissão Municipal de São Paulo vai pedir o reexame do crânio do motorista que dirigia o veículo em que estava o ex-presidente da República Juscelino Kubitschek. Juscelino morreu em um acidente de carro ocorrido em 1976.

O presidente da Comissão Estadual da Verdade de São Paulo, o deputado estadual Adriano Diogo, disse que os trabalhos da comissão que preside, que já ouviu 159 vítimas do regime militar, irá agora se concentrar na cadeia de comando. A ideia, segundo o deputado, é reunir documentos que comprovem e expliquem o comando do regime.


Fonte: Agência Brasil

Exposição mostra as transformações em 60 anos na arte brasileira



A Fundação Bienal de São Paulo inaugura neste sábado (21) a exposição 30 × Bienal - Transformações na Arte Brasileira da 1ª à 30ª Edição, que traz a trajetória artística do país nos últimos 60 anos, de 1951 até 2012, destacando a participação brasileira da primeira à última bienal.

“Procurei encontrar correspondência entre a importância da bienal e a importância na história da arte brasileira. É um pouco buscar o paralelo entre essas duas histórias que são complementares”, disse o curador da mostra, Paulo Venancio Filho, que acredita que a Bienal é um dos elementos que estruturou a arte brasileira a partir da segunda metade do século 20.

A mostra, que tem obras de todas as edições da bienal, traz uma seleção de 250 obras de 111 artistas. De acordo com o curador, a intenção é propor uma orientação não cronológica, mas flexível, “que possa ultrapassar tempo e espaço, sem, entretanto, deixar de observar a continuidade histórica de seis décadas”.

“Selecionar [as obras] foi uma tarefa difícil, complicada, porque participaram das 30 edições cerca de 1.700 artistas. Tive de fazer uma redução muito drástica, cheguei a esse número de 111, que acho que é um número representativo desse período”, disse.

A exposição traz um panorama das influências presentes na bienal, que abrange desde a abstração geométrica ao concretismo, a arte pop, a geração conceitual e o reflexo dessas escolas na produção dos artistas de hoje.

“A bienal ainda é o grande evento artístico do Brasil. Fundamental para as artes plásticas e para a cultura brasileira. Hoje as artes plásticas têm um papel maior, mas há 60 anos ninguém sabia o que era, a bienal deu uma dimensão pública para as artes plásticas”, disse Venancio.

A exposição ocorre até 8 de dezembro no prédio da Fundação Bienal de São Paulo, no Parque Ibirapuera, Portão 3. Terças, quintas, sábados, domingos e feriados funciona das 9 h às 19 h (entrada até às 18h). Às quartas e sextas, das 9 h às 22 h (entrada até às 21h). A entrada é gratuita.


Fonte: Agência Brasil

sábado, 21 de setembro de 2013

Morte de índios pode quintuplicar número de vítimas da ditadura






Desde 2012, a Comissão Nacional da Verdade investiga o desaparecimento de aproximadamente 2.000 índios da etnia Waimiri-Atroari durante a ditadura militar. O sumiço dos indígenas, cujo território se estendia de Manaus até o sul de Roraima, ocorreu entre 1968 e 1983, época em que o governo federal construiu a rodovia BR-174 --ligando a capital amazonense a Boa Vista-- para atrair à região projetos de mineração de multinacionais. 


A comissão possui um relatório, com mais de 100 páginas e dezenas de documentos anexos, elaborado pelo Comitê Estadual da Verdade do Amazonas. O dossiê reúne relatos dos índios, depoimentos de sertanistas, militares e funcionários públicos, entre outros indícios que apontam para a existência de um massacre dos waimiris-Atroaris, operado pelo Exército por meio de táticas de guerra, inclusive.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Emir Sader: educação precisa ser mais atraente para os jovens







Durante o 2º Encontro do Movimento Pedagógico Latino-Americano, realizado pela Internacional da Educação para a América Latina (IEAL), o educador, sociólogo e doutor em ciência política, Emir Sader, defendeu a educação emancipadora, que combata a alienação. Para Emir, é fundamental que a escola seja capaz de oferecer ao aluno uma compreensão subjetiva e objetiva do mundo.
"No sistema capitalista, o trabalhador constrói a riqueza do planeta mas não decide o seu destino e não se reconhece nela", afirmou Emir Sader

O educador lembrou que no sistema capitalista o trabalhador constrói a riqueza do planeta, mas não decide o seu destino e não se reconhece nela. “Sobretudo a educação precisa atrair os jovens que se veem tão afastados do modelo de ensino atual e atraídos pela sociedade de consumo capitalista que lhes oferece muita tecnologia, informação rápida e curta, uma mídia que incentiva o consumismo, enfim, coisas muito mais atraentes que um quadro negro e um giz”, disse.


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"Nunca tivemos tantos meios tecnológicos e científicos para transformar o mundo à nossa imagem e semelhança. Os jovens que não se interessam pela educação formal que temos hoje precisam ser atraídos de volta para a escola. Eles precisam ter consciência social e crítica. Para isso, só vejo o caminho da mudança, da reformulação do modelo de ensino para que ele seja adaptado à realidade em que vivemos e que, de fato, dispute a hegemonia", avaliou Emir.

Um dos caminhos para atingir isto é proporcionar ao jovem uma compreensão ampla dos assuntos que, na maioria das vezes, ele absorve como uma informação rápida na internet. “Ele sabe dos fatos, mas não tem compreensão nenhuma daquilo que absorveu, pois não tem consciência crítica na maioria das vezes e é justamente deste tipo de cidadão que o modelo capitalista e neoliberal necessita para continuar sobrevivendo, que não critica e apenas aceita”, ressaltou o professor.

Outra observação feita por ele é que "nossas escolas e universidades precisam combater a alienação dos estudantes para que eles pensem a sociedade que temos, o estado que temos e como funciona esse capitalismo atual. Quais são suas vítimas, qual é a dinâmica? Porque ele transforma tudo em mercadoria, seja a educação, a saúde e tudo a sua volta. Esse é o nosso problema fundamental", afirmou.

O sociólogo lembrou ainda que as manifestações de junho no Brasil tiveram a ver, também, com a falta de políticas para a educação e reforçou a necessidade de a comunidade educacional ampliar sua comunicação com os jovens e a sociedade em geral e não falar apenas entre si.

Para Emir, "um outro mundo é realmente possível", utilizando o lema do Fórum Social Mundial do qual foi um dos fundadores. Após afirmar que "tudo de bom que eu sei aprendi na escola pública", Emir foi homenageado pela Internacional da Educação para a América Latina, por toda a sua trajetória de luta por uma educação e por uma sociedade mais humana, justa e que de fato seja para todos, sem distinção de classe, raça ou credo.

De Recife


Karina Villas Boas, da Federação dos Trabalhadores em Educação do Grosso do Sul (Fetemes)

Interpol emite mandado de prisão de torturadores do franquismo







A polícia espanhola vai deter três homens que eram conhecidos torturadores do franquismo (1939-1976, regime ditatorial do general Francisco Franco). O jornal El País informou nesta sexta-feira (20) que se trata de uma ordem da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), e o mandado de captura foi pedido na Argentina pela juíza María Servini du Cubría, que abriu o processo judicial contra os que cometeram crimes durante a ditadura de Francisco Franco.
Os três homens pertenceram à polícia espanhola e são o antigo guarda civil Jesús Aguilar (agora com 74 anos), o antigo comissário José González e o ex-inspetor José António Pacheco (67 anos), que era conhecido por Billy El Niño.

O processo contra os autores dos crimes do franquismo foi aberto em 2011 pela juíza de Buenos Aires, María Servini du Cubría, que, diz o jornal espanhol El País, esbarrou com a oposição do governo espanhol, que tentou encerrar o processo.

O argumento usado por Madri foi o de que o julgamento argentino não fazia sentido, pois corria na própria Espanha um processo judicial. Mas o juiz que abriu o processo em Madri, Baltazar Garzón, foi suspenso e, em 2012, o Supremo Tribunal espanhol mandou encerrar o caso.

A juíza argentina tentou ouvir testemunhos das vítimas via videoconferência, mas o governo espanhol travou as audiências. María Servini fez andar o caso contra os suspeitos por outras vias, insistiu no processo e conseguiu mandados de captura da Interpol, os que a polícia espanhola esperava para prender os primeiros três suspeitos.

“Tenho pena que tenha que ser na Argentina e que Espanha tenha encerrado o processo, mas fico contente pelas vítimas e gostei que a juíza tenha classificado os crimes como atos de ‘lesa humanidade’", disse Baltazar Garzón, citado pelo El País. 

Em 1998, Garzón abriu o processo judicial contra o ditador chileno Augusto Pinochet, que foi preso em Londres e extraditado para Madri e, depois para o Chile, onde morreu em 2006 sem ir a julgamento.

A Interpol é uma organização intergovernamental com 190 Estados membros, criada em 1923 (com o nome de Comissão Internacional Penal de Polícia), para a cooperação internacional em matérias penais. A agência funciona como uma mediadora administrativa entre as agências nacionais de imposição da lei, com assistência em comunicação, bases de dados, investigações, perícias e 

Crise cambial e controle de capitais




Nas últimas semanas, em meio ao burburinho sobre a desvalorização do real, desatei algumas opiniões sobre a necessidade de uma ação vigorosa do Banco Central destinada a impedir que o “não sistema” monetário internacional prosseguisse em sua habitual produção de turbulências nas economias de moeda não conversível.

Por Luiz Gonzaga Belluzzo*, na revista CartaCapital

No Brasil, diante do aguçamento da instabilidade cambial, as vozes de sempre descarregaram as culpas pela desvalorização do real sobre os ombros das “condições internas”. Proclamaram suas “verdades incontestáveis” ao som dos ruídos emitidos pelo tropel dos emergentes que lhes esfrega na cara o movimento generalizado de desvalorizações cambiais mundo afora.

Autoridades econômicas brasileiras cuidaram de explicar à opinião pública que eu não falava pelo governo. Amigo de longa data de muitos deles, imaginei que soubessem de minha figadal e irreconciliável hostilidade aos papéis de ventríloquo de governos ou de soprador de conselhos ao Príncipe. Se, porventura indagado, falo o que ditam minhas convicções, sempre desconfiado da fragilidade de minhas projeções e avaliações, para não dizer da precariedade de meus saberes.

Num ritual farsesco, renova-se em sua caducidade tediosa a discussão sobre a efetividade (ou inefetividade) do controle de capitais em um mundo moldado pela integração financeira e, sobretudo, pela ominosa presença dos mercados de derivativos. Em princípio destinados a promover a diversificação dos riscos, ou seja, oferecer proteção aos agentes do mundo real contra as imprevisibilidades da precificação de ativos e commodities executadas pelos mercados, os derivativos ganharam vida própria e se transformaram em formas monetárias “privadas” que abrem espaço para manobras especulativas de ordem superior. As taxas de câmbio e as apostas nos mercados futuros com índices de commodities são, hoje, exemplos escandalosos e aberrantes dessa “inversão” que submete as políticas econômicas a constrangimentos e a conflitos nada triviais.

Os países de moeda não conversível se dilaceram entre o objetivo de manter a inflação sob controle e o propósito de não danar o crescimento ou colocar em risco a estrutura industrial e, consequentemente, o “arcabouço” de geração de renda e emprego. No Brasil, a derrocada exportadora da indústria faz parceria com a invasão das importações de produtos manufaturados, prenhes de incentivos e subsídios oferecidos generosamente pelos competidores espertos.

Keynes repetiu seguidamente nos trabalhos preparatórios da Conferência de Bretton Woods: “O controle de capitais deveria ser uma característica permanente da nova ordem econômica mundial”. O Plano Keynes postulava a criação de uma moeda internacional. Perdeu a parada para os interesses do establisment americano, mas o controle de capitais e do câmbio foi incorporado ao artigo VI dos estatutos do fundo como faculdade concedida aos países que estivessem atravessando problemas agudos de balanço de pagamentos. Os controles cambiais estavam vedados para as transações correntes, salvo no caso de o Fundo declarar uma “moeda escassa”, conforme o artigo VII, o que permitiria aos demais membros impor controles às transações com essa divisa.

Keynes esclareceu que “a defesa do controle dos movimentos de capitais não deve ser compreendida como uma indicação de que a era do investimento internacional deve ser encerrada. Pelo contrário, o sistema aqui considerado deverá facilitar enormemente a restauração do crédito internacional para fins de empréstimos, tal como será discutido abaixo. O objetivo – e trata-se de um objetivo vital – é ter um instrumento que permita distinguir:

a) Entre movimentos de fundos variáveis e novos investimentos genuínos destinados ao desenvolvimento da riqueza mundial.


b) Entre movimentos especulativos ou fugas de capital dos países deficitários – ou de um país superavitário para outro – e movimentos que ajudarão a manter o equilíbrio dos países superavitários em relação aos países deficitários.

A controvérsia sobre a efetividade dos controles de capitais, tão acerba quanto monótona, termina indefectivelmente com a vitória da turma da bufunfa, aqueles que se refestelam na arbitragem com o diferencial de juros entre os países e engordam seus cabedais sob o patrocínio capitais voláteis. Neste momento, os mercados financeiros globalizados antecipam as manobras de Ben Bernanke e abandonam os “queridinhos” da periferia.

Após 45 anos, USP lembra a batalha da rua Maria Antônia


Batalha da Maria Antonia


O Teatro da Universidade de São Paulo (USP) realiza, de 1 a 9 de outubro, o evento “Rua Maria Antonia – 45 anos da Batalha”. A programação é gratuita e compreende a exibição do documentário “A Batalha da Maria Antônia”, de Renato Tapajós, e seis apresentações do espetáculo “Arqueologias do Presente: Batalha da Maria Antônia”, do grupo OPOVOEMPÉ. 
Batalha da Maria Antonia

Além disso, haverá uma palestra com a psicanalista e professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP Irene Cardoso, com mediação da dramaturga e diretora teatral Cristiane Zuan Esteves.

O evento ocorre após 45 anos a batalha que deixou como saldo um morto, o estudante secundarista José Guimarães, dezenas de feridos e um incêndio que destruiu o prédio da USP.

O filme “A Batalha da Maria Antônia” mostra o confronto que houve entre estudantes da FFLCH e do Mackenzie. A duração é de 76 minutos e a classificação etária é para maiores de 10 anos.

Já no espetáculo “Arqueologias do Presente: A Batalha da Maria Antônia”, o público é convidado a compartilhar memórias, negociar significados, realizar acordos e refletir sobre a construção de formas de democracia em um salão de jogos. Segue-se uma exploração guiada pelo prédio da Maria Antonia, sede da antiga Faculdade de Filosofia da USP, importante pólo de resistência ao regime militar, esvaziada em 1968 como parte do projeto de repressão. Entre o documental, o lúdico, o possível e o sonho, o trabalho busca abrir brechas nas lógicas habituais entre história, presente e utopia. A duração é de 80 minutos a classificação é para maiores de 12 anos.

A batalha

No dia 3 de outubro de 1968, ocorreu o confronto entre os alunos da Faculdade de Filosofia da USP e os estudantes do Mackenzie, que ficou conhecido como a Batalha da Maria Antonia. O nome faz referência à rua onde estavam localizadas as duas universidades, vizinhas à época, no centro de São Paulo.

O conflito começou após alunos do Mackenzie atirarem ovos em estudantes da USP, que cobravam pedágio na rua Maria Antonia a fim de custear o congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), naquela época extinta pelo regime militar.

Em meio à ditadura, os estudantes da Faculdade de Filosofia da USP defendiam ideais de esquerda e os da Mackenzie estavam alinhados a ideais conservadores defendidos por integrantes do Comando de Caça aos Comunistas (CCC). Também estudavam no Mackenzie integrantes da Frente Anticomunista (FAC) e do Movimento Anticomunista (MAC).

O resultado foi a morte do estudante secundarista José Carlos Guimarães, aos 20 anos de idade, com um tiro na cabeça, outros três universitários baleados e dezenas de feridos.

Apesar da morte, a batalha prosseguiu até que o prédio da USP foi incendiado, ocasionando a transferência da faculdade para o atual campus, no Butantã. Hoje, o edifício restaurado abriga o espaço cultural Centro Universitário Maria Antônia.

Confira a programação completa do evento “Rua Maria Antonia – 45 anos da Batalha”:

01.10 – terça-feira

20h | Palestra com Irene Cardoso, mediação Cristiane Zuan Esteves.

02.10 – quarta-feira

19h | Filme: A Batalha da Maria Antônia, de Renato Tapajós. Após exibição haverá debate com o diretor.

Espetáculo: Arqueologias do Presente: A Batalha da Maria Antônia, grupo OPOVOEMPÉ.

De 04 a 09.10 – Sexta e Sábado, 21h | Domingo, 19h | Segunda à Quarta, 21h

Tel.: 11 3123-5233 | www.usp.br/tusp | www.facebook.com/teatrodauspoficial

A distribuição dos ingressos para eventos gratuitos no TUSP é realizada uma hora antes do início.

O estacionamento Mariauto, no número 176, tem acordo com o teatro e o público tem desconto mediante apresentação de carimbo (do TUSP) no comprovante de entrada. 


Fonte: Brasil de Fato

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Comissão da Verdade coordena exumação de líder camponês







A Comissão Nacional da Verdade coordena amanhã (19) os preparativos para o trabalho de peritos da Polícia Federal e da Polícia Civil do Distrito Federal que exumarão na próxima terça-feira (24) os restos mortais que podem ser do líder camponês maranhense Epaminondas Gomes de Oliveira, membro do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT), organização derivada da Ação Popular, morto aos 68 anos, sob custódia do Exército, em 20 de agosto de 1971. 

O trabalho é realizado em parceria com a Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

Epaminondas foi preso no garimpo de Ipixuna do Pará, em 9 de agosto de 1971, numa operação do Exército para prender lideranças políticas da oposição na região do bico do papagaio (divisa tríplice entre Pará, Maranhão e Tocantins, então Goiás). Após ser levado aos municípios de Jacundá (PA) e Imperatriz (MA), foi levado à Brasília, onde morreu, sob a custódia do Exército, no Hospital da Guarnição Militar.

Segundo a viúva de Epaminondas, Avelina Cunha da Rocha, em depoimento à Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, "os militares não tiveram a coragem de entregar o corpo". Disseram apenas, por meio de documento oficial, que Epaminondas estaria enterrado em Brasília e que a responsabilidade pelo traslado caberia à família.

De posse da informação, integrantes da Comissão Nacional da Verdade foram até o cemitério e pesquisaram os cadernos de registro e as guias de sepultamento individualizadas do Campo da Esperança, onde descobriram que o verdadeiro local de sepultamento de Epaminondas não coincidia com o apresentado no documento oficial apresentado à família.

O mesmo documento registra que a sepultura de Epaminondas não poderia ser aberta antes de 1976, o que chamou a atenção da CNV e dos familiares, pois poderia se tratar de uma tentativa de impedir a apuração de sua real causa mortis, apontada nos registros militares como decorrente de crise hepática aguda, causa que normalmente aparece em laudos de morte de presos políticos vítimas de tortura e até mesmo de execução.

Amanhã, a partir das 11h, os peritos da Polícia Civil do Distrito Federal, a pedido da CNV, realizarão uma diligência preliminar no cemitério com o equipamento Ground Penetrating Radar (GPR), que verifica a existência de restos humanos sob a terra.

Assim que descobriu o novo documento, a CNV entrou em contato com a família de Epaminondas no Maranhão e no Pará, que autorizou a exumação, desde que acompanhada por familiares e que, após os exames, caso a identificação seja positiva, seja feito o traslado dos restos mortais e o enterro de Epaminondas, de modo condigno, em local a ser determinado pela família, provavelmente ao lado de sua esposa em jazigo da família.

O neto do líder camponês, Epaminondas de Oliveira Neto, autorizou o procedimento e acompanhará a exumação ao lado de seu irmão Cromwell de Oliveira Filho. Ambos colherão material para o exame de DNA.


Fonte: Portal da Comissão Nacional da Verdade

"Estamos mexendo com o poder central", afirma Julian Assange







“Quando vemos todo o esforço deles em nos espionar, em nos perseguir após essas revelações, como as feitas por Eduard Snowden, isso demonstra que é algo de fato importante para eles [EUA], significa que estamos mexendo com o poder central deles. Precisamos prestar atenção nesses sinais”. A declaração é do jornalista, Julian Assange, um dos fundadores do site Wikileaks, dita a uma platéia de 700 pessoas presentes na Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural São Paulo, na capital paulista.
Público de 700 pessoas lotou o auditório do Centro Cultural Vergueiro

O ciberativista foi a atração principal do “Seminário Liberdade, Privacidade e o Futuro da Internet”, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e Boitempo Editorial, com apoio da Agência Pública, na noite de quarta-feira (18). A atividade, que começou às 14 horas e teve três mesas de debate no total, também foi transmitida pela internet pelo site do Centro Cultural.

Assange também comentou as denúncias de espionagem trazidas à tona por Eduard Snowden, ex-analista de inteligência da agência de segurança americana, a NSA, que vazou documentos que comprovam que o governo brasileiro e a Petrobras foram alvos dos arapongas estadunidenses.

“A presidenta Dilma tinha mesmo que cancelar essa reunião com os Estados Unidos. Inicialmente, ela preferiu não cancelar. Mas, depois, ela olhou para o povo brasileiro e viu que se não tomasse essa atitude de cancelar poderia enfraquecer seu governo e o povo porque esse tipo de situação cria um mercado politico. Decisões simbólicas [como essa] são importantes para proteger as pessoas. E Dilma, enquanto presidenta, tem a obrigação de proteger o povo brasileiro”, disse Assange, que emendou: “Eu que sou um editor australiano e fui alvo dos estados unidos e fiz algo fora dos Estados Unidos e fui alvo por isso. Então devemos nos perguntar: e vocês que estão ai me assistindo, também podem ser alvo dos estados unidos?
Os Estados Unidos estão assumindo o controle e vocês, brasileiros, estão sendo invadidos por uma jurisdição, uma jurisdição que está fazendo valer a sua lei no estrangeiro".

Para Julian Assange, o mundo ocidental vive um colapso do Estado de direito com a vigilância e espionagem. De acordo com o jornalista australiano, o presidente Barack Obama tem se mostrado o presidente daquele país que mais se apoiou na lei de espionagem para perseguir e denunciar profissionais da imprensa e quem mais contrariar os interesses imperialistas. até duas vezes mais o número de presidentes combinadas: "Obama perseguiu mais denunciantes sob essa lei da espionagem do que o dobro da soma dos outros presidentes. Isso não é apenas uma alteração do comportamento da vigilância sobre jornalistas, e sobre outras pessoas. Não se trata só disso.


 A administração de Barack Obama está se tornando uma força perigosa no ocidente e demonstrando que o colapso está atingindo princípios básicos”. 
Sobre quais as perspectivas que ele tem para o futuro, diante do fato de estar asilado na embaixada do Equador em Londres, Assange simplesmente disse: “Em relação a minha própria situação não e algo que tenho pensado muito nesses últimos meses. Vamos dizer que se encontre uma solução, em que mundo eu vou entrar quando eu sair daqui?

Em um mundo que está se direcionando para uma distopia, vou entrar em um mundo agressivo contra o Wikileaks, contra meus amigos. E, diante disso, há algo mais importante do que a liberdade de Julian Assange. É muito difícil ficar 500 dias numa embaixada, mas é um luxo, ao contrario de vocês que estão ai, eu não posso ser preso. É o lugar mais seguro do mundo para Julian Assange”, disse.

Perguntado sobre o que nós podemos fazer enquanto sociedade civil organizada, ele disse que em primeiro lugar é preciso entender o que está acontecendo exatamente e de que forma essas ações de vigilância na internet podem impactar em nossas vidas. Para o ativista, plataformas como Gmail e Facebook são extremamente inseguras e que é preciso criar alternativas como sites próprios brasileiros. "Eu entendo o que é o Facebook , o Google e o que essas instituições fazem por nós. Mas se vou fazer parte de um grupo ativista, se vou ser jornalista, preciso tomar as precauções necessárias", aconselhou.

Vigilância e privacidade na rede
Como garantir a privacidade em um cenário de vigilância e quais os impactos para a cultura digital?

 Esse foi o tema da segunda mesa de debate do evento, que contou com a presença de especialistas como Silvio Rhatto, pesquisador independente de tecnologias digitais de armazenamento e transmissão segura de dados, que alertou que, quando se trata de espionagem, os sistemas de comunicação são inevitavelmente inseguros tendo em vista a lógica dos arapongas tudo e todos. 

O ativista da privacidade e da comunicação segura explicou que atualmente mais do que proteger os dados, é preciso proteger os meta-dados, que são as informações de quem está circulando a informação. “Os meta-dados são o envelope da informação [ onde tem o nome e endereço da correspondência de quem e para onde]. Com essas informações outras tantas estão sendo criadas por empresas na construção do que chamamos de gráfico social ou gráfico de rede. Atualmente, existem aplicações de controle social muito sofisticadas, com finalidades de polícia”, disse. 

Para proteger as informações e meta-dados existem ferramentas que já são utilizadas como o Tor Project, um software que permite navegar de forma anônima a partir da criptografia, escondendo seu endereço de IP (identificação do seu computador) e do servidor que você está acessando. Desenvolvido pela Marinha americana na década de 1970, atualmente é sustentado pela ONG Tor Project e apoiado por entidades como a Electronic Frontier Foundation (EFF) e Human Rights Watch, e por empresas como o Google. 

No entanto, até mesmo o TOR está sendo alvo de suspeitas por ter sido criado pela marinha americana e por outros problema maior: os backdoors, que são uma espécie de porta dos fundos criada por softwares e hardwares que deixam um caminho de invasão, sem despertar suspeitas do usuário. “As revelações do Snowden demonstram esses backdoors podem estar inseridos nos equipamentos que compramos. Os backdoors podem estar em softwares, hardwares e até nos protocolos”, revelou.

Também participaram da mesa Marta Kanashiro (Pesquisadora do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo [Labjor] e professora plena do Programa de Pós-Graduação em Divulgação Científica e Cultural do Labjor) e Gisele Beiguelman (Professora da FAU-USP, midiartista e curadora, pesquisadora na área de História da Arte sobre usos críticos de mídias e editora da Revista Select). Ao final, o público foi convidado a debater o tema com os especialistas.

Pela porta dos fundos


O professor Sergio Amadeu, da Universidade Federal do ABC, e pesquisador das relações entre comunicação e tecnologia, práticas colaborativas na Internet e a teoria da propriedade dos bens imateriais, que participou da mesa anterior, sobre arquitetura e governança na internet, também fez um alerta para os backdoors e para os contratos que ‘assinamos’ com empresas como a Microsoft, sem tomar conhecimento do que estamos autorizando fazer com nossos dados. “A Microsoft pode passar as nossas informações para seus clientes porque nós os autorizamos. E quem são esses clientes”, indagou Sergio Amadeu.

Como solução, tanto Sergio, que também integra o Comitê Gestor da Internet no Brasil, quanto os demais que integraram as mesas de debate, defenderam a adoção de softwares livres, principalmente pelo governo brasileiro. Já para garantir a liberdade de expressão na rede, Amadeu lembrou que tramita na Câmara o Projeto de Lei que institui o Marco Civil da Internet. “Eu sou a favor do Marco Civil da Internet que garante a neutralidade e a liberdade de expressão. Agora, estão querendo alterar o texto em benefício de empresas de telecomunicação. E se isso ocorrer, eu vou ser contra o Marco Civil. Por isso temos que defender o texto original do Marco Civil”, afirmou Sergio Amadeu.


Deborah Moreira


Da redação do Vermelho

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Depoimentos apontam apoio de setores das igrejas à ditadura







O golpe de 1964 no Brasil teve apoio de parcelas importantes das igrejas. Essa foi uma das conclusões da segunda série de depoimentos, nesta terça-feira (17), durante audiência pública da Comissão Nacional da Verdade (CNV) e da Comissão Estadual da Verdade, na sede Caixa de Assistência dos Advogados do Estado do Rio de Janeiro (Caarj), no prédio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Seccional Rio de Janeiro, no centro da capital fluminense.

A educadora Letícia Cotrim, o pastor emérito presbiteriano Zwinglio Motta e o pastor luterano Mozzart Noronha relatam experiências que vivenciaram durante a ditadura militar.

Letícia ficou presa por 14 dias no Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), uma semana no quartel da Polícia Militar no centro do Rio e um mês e três dias em um quartel do Exército em Petrópolis, na região serrana fluminense. Apesar de ter recebido apoio de integrantes de destaque da Igreja Católica, como dom Aloísio Lorscheider, ela disse que parte da igreja ficou omissa.


“Foram pessoas que nos ajudaram em uma hora de sofrimento. Eu tive isso, mas não quer dizer que a igreja era homogênea. Houve quem deu e quem não deu apoio. Foi pedido por mim a dom Eugênio Sales, e dom Eugênio não deu apoio para falar com quem tinha me prendido, que eu tinha uma história na igreja. Eu fui dada como uma pessoa subversiva e que não estava acontecendo nada comigo, quando na verdade estava”, disse Letícia, que participou desde a adolescência do Movimento Ação Católica.


Zwinglio Motta chegou a ser expulso da Igreja Presbiteriana do Brasil por defender questões contrárias às posições conservadoras da instituição. O pastor disse que foi preso por ser irmão de Ivan Motta Dias, militante desaparecido político, e, de acordo com informações levantadas pela família, foi morto em um dos locais de tortura em Petrópolis. "A repressão queria saber onde estava ele. Tentava por todos os meios e não conseguia. Descobriu-me, alguém me delatou, e fui preso por isso”, declarou.


Para Zwinglio, o trabalho da comissão em apurar a atuação da igreja no período da ditadura e no golpe de 1964 é importante para a história política do país. “Recuperar a memória é muito importante para que as gerações futuras tenham acesso ao que aconteceu para que isso não volte a se repetir”, disse o pastor emérito que depois, junto com 80 religiosos, fundou a Igreja Presbiteriana Unida.


O pastor luterano Mozzart Noronha, que fez parte de um movimento de resistência dentro das igrejas protestantes, também falou sobre a falta de apoio da instituição. Ele disse que recebeu suporte apenas de pessoas envolvidas com o movimento ao qual pertencia. “A igreja oficial não me deu nenhum apoio, mas aquela comprometida, que nós chamamos a do Cristo fora dos muros. Pessoas e indivíduos, embora membros da igreja, mas não respondiam institucionalmente por ela, essas pessoas nos deram apoio, não somente no tempo da nossa atuação clandestina contra a ditadura, mas também fora do país”, declarou o pastor que precisou se mudar para a Europa.


O coordenador do Grupo de Trabalho Papel das Igrejas durante a Ditadura, na Comissão Nacional da Verdade, Anivaldo Padilha, disse que os depoimentos confirmam que as igrejas tiveram postura contraditória, algo surpreendente porque era de se esperar que tivessem uma posição clara contra a violação dos direitos humanos, a tortura, assassinatos e desaparecimentos forçados. E isso, segundo ele, não ocorreu. “Alguns setores importantes das igrejas apoiaram a ditadura e setores minoritários se opuseram à ditadura", destacou.






Para o professor de direitos humanos da Pontifícia Universidade Católica (PUC) e membro da Comissão Estadual da Verdade, João Dornelles, a participação das igrejas se modificou com o trabalho de integrantes que se opunham aos militares e desenvolveram trabalhos com movimentos sociais de atuação mais política. "Surgiu, a partir da Igreja Católica, uma série de instituições que passou a cumprir um papel de denúncia de violação de direitos humanos, e a própria CNBB [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil] se posicionando contra a ditadura, principalmente no decorrer dos anos 1970, na luta pela anistia e libertação dos presos políticos, junto com igrejas presbiterianas e metodistas”, analisou.


Fonte: Agência Brasil

Conheçam as dez empresas que mais lucram com as guerras







Por Marco Antonio Moreno*

O Instituto de Investigação da Paz de Estocolmo (Sipri) resume no seu anuário de 2013 as vendas mundiais de armas e serviços militares das cem maiores empresas de armamento e equipamento bélico para o ano de 2011. As vendas destas empresas atingiram 465.770 milhões de dólares em 2011, contra 411 milhões em 2010, o que representa um aumento de 14%.


Desde 2002, as vendas dessas empresas aumentaram cerca de 60%, confirmando que elas estão longe de sofrer os impactos da crise financeira que tem sacudido o mundo.

Destas cem empresas que o anuário do Sipri analisa, as dez primeiras tiveram vendas de 233.540 milhões de dólares, isto é, cerca de 50% do total alcançado pelas Top Cem. Nenhum setor econômico cresceu tanto como a indústria de armamento, o que dá conta de um entusiasmo sem lógica pelas guerras.

Já temos assinalado os perigos que envolvem o lucrativo negócio da guerra e o detalhado relatório do instituto sueco, confirmando as nossas suspeitas. Este instituto deveria pedir contas a essa Academia, também sueca, que outorga o Nobel da Paz, sobretudo por entregar o prêmio a alguém que valida o orwelliano mundo de que a guerra é a paz.


Um mundo demencial


Se há algo demencial e irracional no fato das fábricas de armamento terem mais lucros que qualquer outro setor industrial, também é de insanidade profunda que isso não seja informado publicamente. As fábricas de armamento, de origem privada, absorvem parte importante dos orçamentos públicos. Ou seja, é o contribuinte, uma vez mais, o principal financiador dos senhores da guerra.


Uma despesa que só com as cem primeiras chega a meio bilhão de dólares anuais. E agora que está na moda a tecnologia dos drones (aviões não tripulados) não é de estranhar que sete das dez primeiras empresas operem no espaço aéreo. Muito menos é de estranhar que destas cem empresas, 47 sejam dos Estados Unidos.


As empresas estadunidenses garantem cerca de 60% das vendas totais de armamento que essas top cem produzem. Daí a correlação entre a dívida pública e a despesa militar que estabelecemos para alguns anos, para compreender o problema da dívida pública dos Estados Unidos.

Estas são as dez primeiras empresas da lista no ranking 2011 (os dados entre parênteses correspondem ao ranking 2010):


(1). Lockheed Martin (EUA) Mísseis, eletrônica e espaço aéreo. Vendas de 36.270 milhões dólares em 2011. Lucros líquidos: 2,655 bilhões de dólares. 123.000 empregados (132.000).


(2). Boeing (EUA) Aviões, eletrônica, mísseis, espaço aéreo. Vendas de 31,83 bilhões de dólares. Lucros líquidos de 4,018 bilhões de dólares. 171.700 empregados (160.500).


(3). BAE Systems (Reino Unido) Aviões, artilharia, mísseis, veículos militares, naves. Vendas de 29,15 bilhões de dólares. Lucros líquidos de 2,349 bilhões de dólares. 93.500 empregados (98.200).


(4). General Dynamics (EUA) Artilharia, eletrônica. Vendas de 23,76 bilhões de dólares. Lucros líquidos de 2,526 bilhões de dólares, 95.100 empregados (90.000).


5). Raytheon (EUA) Mísseis, eletrônica. Vendas de 22,47 bilhões de dólares. Lucros líquidos de 1,896 bilhões de dólares. 71.00 empregados (72.400).

(6). Northrop Grumman (EUA) Aviões, eletrônica, mísseis, navios de guerra. Vendas de 21,39 bilhões. Lucros líquidos de 2,118 bilhões de dólares. 72.500 empregados (117.100).


(7). EADS (UE) Aviões, eletrônica, mísseis. Vendas de 16,39 bilhões de dólares. Lucros líquidos de 1,442 bilhões de dólares. 133.120 empregados (121.690).


(8). Finmeccanica (Itália) Aviões, veículos de artilharia, mísseis. Vendas de 14,56 bilhões de dólares. Lucros líquidos de 902 milhões de dólares. 70.470 empregados (75.200).


(9). L-3 Communications (EUA) Eletrônica. Vendas de 12,52 bilhões de dólares. Lucros líquidos de 956 milhões de dólares. 61.000 empregados (63.000).


(10). United Technologies (EUA) Aeronaves, eletrônica, motores. Vendas de 11,64 bilhões de dólares. Lucros líquidos de 5,347 bilhões de dólares. 199.900 empregados (208.220).


Esses números confirmam que a guerra é um dos melhores negócios para alguns países e que, inclusive, põe à prova as recessões e as crises financeiras. E, apesar de terem importantes lucros, também criam desemprego.


O grande problema é que precisam se alimentar diariamente com novas guerras, por isso há que as inventar. Que fariam essas empresas se houvesse paz?
Por isso, todas as guerras baseiam-se no engano e na manipulação das massas, como as armas químicas de destruição em massa de Saddam Hussein, que há dez anos permitiram aos Estados Unidos invadir o Iraque, perante a complacência de todo o mundo. Repetirá outra vez?


*Marco Antonio Moreno publica em El Blog Salmón



Fonte: Brasil de Fato

Festival de curtas sobre Direitos Humanos abre inscrições








O Entretodos 6 - Festival de Curtas-Metragens de Direitos Humanos está com inscrições abertas para receber filmes feitos em qualquer formato, de celular a 35mm. Nesta sexta edição, pela primeira vez, a mostra recebe curtas internacionais, que devem ser legendados em português.

O festival, que busca promover o cinema independente, é gratuito e ocorre de 9 a 13 de dezembro em 40 pontos de cultura e educação da cidade de São Paulo. Assim como nos anos anteriores, o evento contará com debates e a participação de críticos, pesquisadores e especialistas das áreas de direitos humanos e cultura.


Os filmes poderão ser inscritos até 5 de outubro. Poderão participar curtas documentais, de ficção, experimentais, animações e também aqueles que misturam diferentes gêneros, com até 25 minutos e que envolvam temas relacionados aos direitos humanos.

Os filmes selecionados para a 6° edição do Entretodos concorrerão a prêmios que variam de 2.000 reais a 4.000 reais nas seguintes categorias: Melhor Curta-Metragem escolhido pelo Júri, Melhor Roteiro, Melhor Curta-Metragem escolhido pelo público, Melhor Filme Estrangeiro e o prêmio Visão Social.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas através do site oficial do evento. O festival é promovido pela Secretaria de Direitos Humanos de São Paulo e organizado pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.


Fonte: CartaCapital

Festival de Cinema de Brasília tem música clássica e fotografia





Revelando Sebastião Salgado é o primeiro documentário brasileiro sobre um dos mais importantes e respeitados fotógrafos contemporâneos, reconhecido por seu estilo único. (Divulgação)


O 46º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro começa nesta terça-feira (17), às 20h30, com o documentário Revelando Sebastião Salgado. O filme, de Betse de Paula, promete mergulhar o espectador no universo de um dos fotógrafos brasileiros mais respeitados no mundo. Antes da exibição do filme, no entanto, a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional fará uma apresentação especial, que contará com a participação do premiado violinista austríaco Benjamin Schmid.
Outro destaque é a volta ao Cine Brasília, tradicional palco do festival e que estava em obras desde o fim da edição de 2011. Para o coordenador do festival, Sérgio Fidalgo, o sentimento é de volta para casa. “Um dos destaques é o retorno ao Cine Brasília, que é a nossa casa. Está muito bonito, totalmente reformado”. Serão 30 filmes, entre longas-metragens, curtas-metragens e animações, de dez estados e do Distrito Federal, disputando prêmios no valor total de R$ 700 mil.


Fidalgo ressalta o perfil dos filmes selecionados. Para ele, são obras que não deixarão o público indiferente. “A programação está dentro do seu perfil tradicional. São filmes nacionais inéditos, entre documentários e ficção, e com personalidade muito forte, ou você ama ou você odeia”.


A mostra competitiva vai movimentar os quatro cantos da cidade. Além de exibições no Cine Brasília, os filmes concorrentes serão exibidos no Teatro Sesc Newton Rossi, na Ceilândia; no Teatro de Sobradinho; no Teatro Sesc Paulo Autran, em Taguatinga; no Teatro Sesc Gama; e no Teatro do Guará.


Um dos festivais mais completos do país, o de Brasília contará ainda com cinco seminários e várias oficinas para o público da cidade. Os seminários ocorrerão de 18 a 23 de setembro e abordarão temas diversos do universo cinematográfico, como as perspectivas do cinema brasileiro em outros países e as possibilidades de humor na telona, além da relação entre a música brasileira e o cinema.


Os seminários são coordenados pela professora Tânia Montoro, pelo produtor Marcus Ligocki Jr, além do cineasta André Leão, e contarão com especialistas em cada área. Todos têm entrada gratuita e serão realizados nos salões do Kubitschek Plaza Hotel. Para aqueles que querem conhecer o processo de criação de um filme, a Oficina Integrada de Cinema vai oferecer cursos de roteiro, direção, trilha sonora para cinema e finalização digital.


A abertura do festival será na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional, apenas para convidados. As exibições da mostra competitiva começam nesta quarta-feira (18) e os ingressos para o Cine Brasília custarão R$ 6 e R$ 12. Nos demais teatros que vão projetar os filmes simultaneamente, a entrada é gratuita.
 A programação completa do festival pode ser obtida em seu site oficial.

Circuito Nação Hip Hop Brasil na cidade de Salto-SP







Neste Sábado dia 21/09 a Nação Hip Hop Brasil realiza a 1ª Etapa do Circuito Nação Hip Hop-ORPAS. Nesta Edição participam como convidados especiais o Rapper Crônica Mendes e o B.Boy Bispo da Street Breakers.

Chamada

“A Nação Hip Hop Brasil e a entidade ORPAS, Promove um grande circuito de atividades culturais para fortalecimento e divulgação do Movimento Hip Hop”

O que é Nação Hip Hop Brasil-ORPAS?

A Nação Hip Hop Brasil em parceria com a entidade ORPAS - Obras Recreativas, Profissionais, Artísticas e Sociais, propõem com a realização deste circuito, contribuir na organização e divulgação do movimento hip hop quanto ferramenta de intervenção social, cultural e política em prol da juventude. As ações do circuito serão desenvolvidas por meio de Oficinas, Palestras, Workshops, Pocket Shows, Literatura e Debates, promovendo uma integração de vários grupos, entidades, artistas, gestores e projetos que atuam dentro e fora estado, que através de troca de experiências e conhecimentos que trará reflexões para a necessidade de criação propostas e de ações de fomento a cultura hip hop e políticas publicas pra juventude. O Circuito será realizado em 08 Etapas, e dentro deste roteiro atende 05 regiões da Capital Paulista e 03 Cidades da Região Metropolitana de São Paulo.

Nação Hip Hop Brasil

A Nação Hip Hop Brasil é uma entidade organizada por representantes do movimento hip-hop, com o objetivo coletivo de efetivar uma organização em rede, travar as discussões sobre as principais pautas e demandas do movimento, potencializar as ações positivas desenvolvidas por seus protagonistas e desencadear o processo das grandes lutas sociais com a efetiva participação de quem faz o hip-hop no Brasil.
A Nação Hip Hop Brasil, foi fundada em 22 de Janeiro de 2005, e atualmente esta organizada em 14 Estados da Federação e no Distrito Federal, conta com o apoio de diversos artistas, colaboradores e entidades em todo o território nacional, participa de diversos fóruns, redes e coletivos, atuando e contribuindo na disseminação do hip hop e nas ações de políticas públicas para a juventude.


O que é ORPAS?

A ORPAS - Obras Recreativas, Profissionais, Artísticas e Sociais é uma Organização Social fundada em 2005 com o propósito de promoção humana e social com a intenção de promover a integração social da comunidade carente nas regiões onde atua, através da arte, cultura e da formação profissional e vem se consolidando como um projeto de desenvolvimento local por meio dos programas de Microcrédito Sustentável e Moeda Social. Tem atuado no incentivo a leitura e a produção literária com grande destaque dentre as ações da ORPAS, como a produção do livro “Um sonho de Periferia”, que contou com a participação dos alunos e com o apoio de outros parceiros, gerando literatura clara e acessível.
Agora com atividades em uma comunidade carente de Córdoba, na Argentina, e a prospecção de novas expansões fora do Brasil, faz com que a missão de abrangência internacional seja atingida, abrindo portas para novas oportunidades externas.

Onde serão as etapas do circuito:

 * Cidade de Salto – SP
* Perus – São Paulo
* Ipiranga – São Paulo
* São Mateus – São Paulo
* Brasilândia – São Paulo
* Cidade de Jundiaí – SP
* Cidade de Ribeirão Pires – SP
* Sede da ORPAS – Jardim Ângela / São Paulo

O que vai acontecer nos circuitos

# Debates Temáticos;
“Hip Hop Ação Política e Institucional”
“Hip Hop Pela Transformação Social”

# Oficinas Temáticas;
Oficina de Gestão – “Hip Hop Empreendedor”
Oficina de Projetos – “Produção de Eventos”

# Oficinas Culturais;
Oficina de DJ “Produção Musical”
Oficina de MC “Ritmo e Poesia”
Oficina de Breaking “Popping, Locking, B.Boy”
Oficina de Graffiti e Desenho / Artes Plástica e Intervenção Cultural

# Intervenções Culturais e Pocket Show;
Atividade de Recreação e Lazer,
Batalha de MC’s, Batalha Show B.Boys,  Shows ao vivo

Realização
Nação Hip Hop Brasil
ORPAS – Obras Recreativas, Profissionais, Artísticas e Sociais
Secretaria de Cultura do Estado

Informações


Telefones:
(11) 2936 4600 / (11) 98733 0033 - ORPAS

(11) 98730 3190 / (13) 981570425 – Nação Hip Hop Brasil