segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Comissão de Anistia julga processo de Honestino Guimarães







Com o objetivo de dar mais um passo na luta pela verdade e justiça no Brasil, a Comissão da Anistia, através da Caravana da Anistia, informa que ocorrerá no próximo dia 20 de setembro, na Universidade de Brasília (UNB), mais uma Caravana da Anistia.

Na ocasião serão homenageados os homens e mulheres que foram perseguidos em razão de sua fidelidade ao projeto democrático da Universidade de Brasília. No decorrer das atividades será julgado o processo do ex-aluno e ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Honestino Monteiro Guimarães.
  
Leia também:

 
Para mais informações sobre a atividade acesse o portal da Associação Brasileira dos Anistiados Políticos (Abap).

Comissão da Anistia

Com mais de 10 anos, a Comissão de Anistia busca justiça e reparação aos perseguidos políticos durante do Regime Militar no Brasil. Nos termos da lei, o presidente da Comissão, Paulo Abrão, “oficializa o pedido de desculpas do Estado pelos erros cometidos contra eles [perseguidos políticos] no passado”.


Uma segunda tarefa da Comissão é continuar promovendo ações educativas para a juventude em torno da disseminação dos valores democráticos. O projeto principal tem sido as Caravanas da Anistia. O terceiro foco de atuação da comissão são as diferentes políticas de memória histórica.



Com informações  das agências

Romualdo Pessoa: a guerra depois da Guerrilha do Araguaia







O professor Romualdo Pessoa Campos Filho é um dedicado pesquisador da Guerrilha do Araguaia. Esse baiano de Alagoinhas, de 56 anos de idade, se emprenhou na região e saiu de lá com um farto material para a sua pesquisa que resultou na dissertação de mestrado publicada na obra “Guerrilha do Araguaia – a esquerda em armas”, já em sua segunda edição pela editora Anita Garibaldi.

Por Osvaldo Bertolino*, no Portal Mauricio Grabois
Agora ele volta ao tema para a sua tese de doutorado, que deve ser defendida em novembro e igualmente se transformar em mais livro sobre o tema.

Formado em História pela Universidade Federal de Goiás, após uma ativa passagem pelo movimento estudantil, tendo sido diretor da UNE entre os anos de 1984 e 1986, Romualdo Pessoa Campos Filho é professor de Geopolítica no Instituto de Estudos Socioambientais (IESA) da mesma Universidade e membro da Comissão de Altos Estudos do Memórias Reveladas – Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil (1964-1985), vinculada ao Arquivo Nacional.

Na entrevista a seguir ele comenta seu novo trabalho.


Portal Maurício Grabois: Professor, fale um pouco sobre mais esse trabalho abordando a região onde atuou a Guerrilha do Araguaia.

Romualdo Pessoa: É o meu projeto de doutorado, no qual dou continuidade ao estudo da região onde aconteceu a Guerrilha do Araguaia. Como a minha dissertação de mestrado foi sobre a Guerrilha, publicada em livro, agora eu tento entender como os camponeses viveram nessa região marcada pelo movimento guerrilheiro. Busco exatamente compreender de que forma a repressão, que permaneceu na região, se abateu sobre aqueles moradores. E com isso eu fui investigando e descobrindo que boa parte dos conflitos que existiram ali teve a terra como elemento principal da disputa, mas que por trás disso havia muito mais. À medida que eu ia estudando a pesquisa documental a que tive acesso — muitos documentos do Serviço Nacional de Segurança (SNI), do Centro de Informações do Exército (CIE) e do Centro de Inteligência da Aeronáutica (Cisa) —, fui percebendo que havia uma rede densa de informações e fui estabelecendo uma relação com a maneira como a área estava sendo monitorada. A ação dos militares se dava através do serviço que era desenvolvido pelos agentes de informações comandados pelo major Sebastião Curió, que atuou na repressão à Guerrilha.


PMG: Era uma ação articulada com o poderoso esquema de poder montado na região pelo Curió?

RP: Sim. Depois da Guerrilha, o Curió criou um poder praticamente paramilitar, que era escorado nas ações dos agentes do serviço de informações, o SNI, o CIE e a Cisa, e em certa medida o Centro de Informações da Marinha (Cenimar). Por trás de cada um desses conflitos, portanto, havia a presença de agentes monitorando, acompanhando, dando as indicativas e as coordenadas sobre quem estava por trás deles. E sempre nesses relatos aparecia o receio desses militares que comandavam os serviços de informações de que havia a presença de remanescentes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) com atuação muito próxima aos camponeses. Havia, de fato, mas os objetivos eram outros.

Ao lado do PCdoB estavam os padres vinculados à Teologia da Libertação, das Comunidades Eclesiais de Base, que faziam trabalho conjunto com os camponeses. E isso incomodava os militares sobremaneira. Em seus relatórios eles expressavam sempre que tanto os padres quanto os comunistas estavam reorganizando o movimento guerrilheiro. Portanto, em toda a ação que gerou assassinatos de camponeses em vários conflitos eu fui identificando que havia um acobertamento muito forte desses órgãos de informações, pelo poder do Curió.


Esse aparato esteve presente nas eleições do Sindicato de Conceição do Araguaia em um momento crucial, no começo dos anos 1980, quando estava surgindo uma grande liderança, Raimundo Ferreira Lima, o Gringo, que foi assassinado. Logo em seguida foi assassinado outro dirigente sindical, João Canuto, militante do PCdoB. E assim sucessivamente. Aconteceu também com os padres Aristides Camio, Francisco Gouriou e Josimo Moraes Tavares. Ou seja: os padres que atuavam ali também estavam na lista dos marcados para morrer.


Mas o principal alvo, o que os militares mais temiam pela ação que desenvolvia e pela organização que efetivava, inclusive resgatando antigos membros do PCdoB que estavam praticamente perdidos depois de participar da Guerrilha, era Paulo Fonteles. Na maioria dos documentos que eu tive acesso, ele era o nome que mais apareceu. Havia um temor muito grande dos militares em relação à atuação e à ação de Paulo Fonteles. E ele terminou sendo assassinado, em 1987.

Pode-se caracterizar esses acontecimentos como legado da Guerrilha?

Sim. Toda a região adquiriu um poder de reação muito forte, de efetiva participação dos camponeses. Muitos dos quais conviveram com os guerrilheiros e estiveram lado a lado em suas roças. Muitos dos quais foram presos também. O líder da revolta da comunidade dos Perdidos, em São Geraldo do Araguaia, em 1976, era amigo dos guerrilheiros. Tinha a roça dele ao lado da dos guerrilheiros. Um dos enteados dele se tornou militante do PCdoB. E havia também a presença de um antigo militante do Partido que fora para lá como base de apoio dos guerrilheiros, que era o Amaro Lins. Ele estava atuando ali na região dos Perdidos e foi reencontrado por Paulo Fonteles.

Mais tarde Paulo Fonteles foi um dos responsáveis pela organização da caravana dos familiares dos desaparecidos no Araguaia que percorreu a região em busca de informações sobre seus parentes. Então, a figura de Paulo Fonteles é um elemento marcante, forte, nesse período pós-Guerrilha. E, por isso, ele passou a ser visado. O temor dos militares, presente em todos os documentos aos quais eu tive acesso, era que ele estivesse preparado um novo movimento guerrilheiro; quando, na verdade, claro, o que havia era uma luta intensa dos camponeses pela manutenção de suas posses contra a grilagem, contra o poder dos grandes fazendeiros que constituíam milícias, que contralavam pistoleiros e tudo mais.


Era, então, uma neurose dos militares injustificável.

Havia uma luta muito intensa ali. E nessa luta o PCdoB esteve presente, assim como a Igreja com as Comunidades Eclesiais de Base. Mas a neurose dos militares trazia consigo o fato de que a Guerrilha poderia estar sendo reorganizada. Por trás de cada um daqueles assassinatos que aconteceram ali, por trás de cada uma das grandes repressões, estava a Polícia Federal atuando ao lado de pistoleiros. Eu tenho comigo, portanto, que boa parte dessas atuações não tinha o objetivo de resolver os problemas do conflito de terras. Nem a atuação do Grupo Executivo de Terras do Araguaia-Tocantins (Getat), que foi criado para isso, mas que não cumpria esses objetivos.

O objetivo era eliminar possíveis lideranças que se destacassem na região e que poderiam constituir empecilhos às políticas que estavam sendo desenvolvidas pelos militares. Principalmente pelo poder do major Curió, que controlou a região da Guerrilha e depois abriu um braço de poder em direção à Serra Pelada, que viveu sob seu domínio por muito tempo. Acredito que possa ser algo difícil de ser comprovado, mas fácil de ser compreendido quando a gente analisa esses documentos.

O senhor acha que essa neurose perpassou o tempo e chegou a casos como os envolvendo o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST)?

É possível que sim. Porque a questão do MST e dos conflitos que aconteceram ali, como o caso de Eldorado dos Carajás, têm a ver também com o esvaziamento de Serra Pelada. Serra Pela, em um primeiro momento, foi um atrativo, serviu para que os militares atraíssem posseiros para o sonho do ouro e tirassem eles do meio dos conflitos. Só que quando o ouro se esgotou havia ali em torno de cem mil pessoas e boa parte delas permaneceu na região. Tornaram-se pistoleiros, foram invadir terras ou participar de acampamentos do MST.


Essas pessoas também passaram a ser monitoradas pelos órgãos de informações. A ação repressiva que viria em consequência das ocupações, dos trabalhos que foram sendo desenvolvidos pelos camponeses, tinha não só o objetivo de atender, digamos, as pressões dos fazendeiros; era para conter explosões sociais em uma região já marcada pelo fato de ter acontecido a Guerrilha do Araguaia. O receio era ligado à estratégica que eles sempre tiveram para a Amazônia, que sempre foi um elemento de preocupações dos militares dentro daquilo que se chama de Doutrina de Segurança Nacional. A preocupação com as fronteiras e principalmente com a defesa da Amazônia.

Soma-se a isso o fato de ali ao lado ter os maiores projetos de mineração do Brasil, concentrações enormes de riquezas minerais e uma montanha de ouro que ainda não foi completamente explorada. Nos dias de hoje ainda há embates, muitos violentos, como os entre antigos mineradores por conta do uso de máquinas no local, a exploração em grande escala. Como se vê, é uma região complicada do ponto de vista da geopolítica. E os militares sempre tiveram essa questão presente. Toda essa neurose, essa obsessão.


Não tem um aspecto positivo nessa visão geopolítica dos militares?

Olha, no aspecto do controle das fronteiras sim. O problema é que com a Doutrina de Segurança Nacional ela gera uma concepção extremamente maniqueísta. E dentro dessa visão da luta contra o inimigo externo e interno há sempre a preocupação em conter o comunismo. Essa neurose foi construída tendo a preocupação com a Amazônia, mas vendo o comunismo como seu inimigo principal. O que do ponto de vista lógico, estratégico, e de quem de fato monitora a região e tem interesse por ela, é completamente equivocado. É o inverso, o oposto; a preocupação com aquela região e o seu monitoramente sempre se deu a partir dos Estados Unidos.


O senhor acha que os militares hoje ainda têm essa neurose anticomunista, essa propensão a se aproximar dos interesses norte-americanos?

Penso que não. Muito embora a Doutrina de Segurança Nacional ainda esteja presente no imaginário dos militares. Não só brasileiros; essa doutrina fomenta a política externa dos Estados Unidos. Mas hoje eu vejo de forma diferente. Até o começo dos anos 2000, sim. Ainda estava bastante presente.


O senhor chegou até esse ponto na pesquisa?

O foco do meu estudo vai até mais ou menos o ano 2000. Constato que essa neurose vai se enfraquecendo à medida que novas gerações de militares assumem e aqueles que carregavam esses preceitos vão indo para a reserva. Tanto que o foco de grande resistência às políticas progressistas adotadas no Brasil está presente no Clube Militar, em áreas de reservas desse oficialato. O que não quer dizer que não exista esse tipo de pensamento. Eles estão lá. Acredito que não são dominantes como eram antes.


Isso foi muito ruim para a região. Porque eles acabaram adotando uma política inversa àquela que planejaram inicialmente, na década de 1970, que era ocupar a região com camponeses, com migrantes. Modificaram isso a partir do final da década de 1980 e abriram a Amazônia para as grandes empresas, para os grandes fazendeiros, para grandes conglomerados agropecuários e até para grandes grupos financeiros. Bancos passaram a investir na Amazônia. Multinacionais, como a Vokswagem, passaram a investir na Amazônia.


Atrás de lucros?

Aparentemente para ter controle sobre as terras; parte delas para a criação de gado. A terra se mostrou infértil para a grande produção agrícola. Ela dá certo para a agricultura tradicional. Mas não para essa grande agricultura que rompeu o cerradão. Prevaleceu a criação de gado em enormes fazendas, de onde foram expulsas quantidades muito grande de pessoas, antigos posseiros. Essa mudança no foco da política por conta da neurose criada foi a responsável por transformar o Sul do Pará e boa parte da Amazônia em uma terra de pistoleiros, de grileiros. Uma terra sem lei, que tinha por trás o reforço da Doutrina de Segurança Nacional, que transformou aquilo ali em um Frankstein. E que é responsável pelo grande atraso existente até hoje, uma região em que as terras estão nas mãos de grandes latifundiários.

Tem previsão para terminar o trabalho?

Acredito que em novembro faço a defesa da tese. Pretendo entregá-la no mês de outubro para a banca e espero fazer a defesa em novembro para a obtenção do grau de doutor.


A ideia é ter um segundo livro sobre o tema Guerrilha do Araguaia?
Na tese anterior eu trato da Guerrilha em si; fiz como dissertação de mestrado. O objetivo agora é dar continuidade à produção anterior. O título da tese provavelmente vai ser “Araguaia depois da Guerrilha — outra guerra”. Será exatamente isso: esse olhar sobre a região tendo como foco a Doutrina de Segurança Nacional, que vai impregnar a ação dos militares ali e como consequência o surgimento dos conflitos, dos quais em alguns deles os camponeses agiram de fato com tática de guerrilha. O que levou os militares a imaginar ser o surgimento de novas guerrilhas, com os comunistas por trás. De fato, os comunistas estavam por trás, assim como a Igreja progressista, mas no apoio à luta dos camponeses por suas terras.


Não cabia mais a organização de guerrilha...

Não era esse o objetivo, até porque o Brasil já estava passando por um processo de transição, com o apoio do PCdoB.
 Mas em 1986 esses remanescentes da espionagem, dos serviços de informações, ainda soltaram relatórios dizendo que os comunistas estavam preparando uma nova guerrilha no Sul do Pará. O que é inverossímil.



*Editor do Portal Maurício Grabois

A democracia e a hipocrisia neoliberal


O sistema neoliberal dominante nos traslada habitualmente a imagem e a ideia de que seu âmbito de atuação é o campo econômico, caracterizado pelo domínio absoluto dos interesses dos mercados, sua hipotética autorregulação para um ótimo e equilibrado desenvolvimento e sua real busca obsessiva do máximo de benefícios. No entanto, e mesmo sendo certo que o âmbito econômico pode ser um espaço de ação prioritário, não é o único.


Por Jesús González Pazos*

Ao contrario, e para fortalecê-lo, convertendo-o em quase absoluto, requer o domínio igualmente do poder político. Nesses parâmetros, poderíamos sustentar, então, que, apesar de seu discurso, o sistema neoliberal não precisa da democracia para poder exercer essa intervenção no político e no social. Qualquer outro sistema de corte não democrático lhes seria mais útil. No entanto, a democracia será utilizada e apresentada como o sistema mais idôneo, apesar de que sempre e somente à medida em que repercuta para melhorar as condições de seu poder. Em suma, a defenderá caso lhe serve para reforçar o controle político e social; abjurará dela caso esta possa converter-se em um modelo de controle e freio de seu poder e de seu mundo econômico.

Muitos autores já ressaltaram que o neoliberalismo econômico não combina bem com que poderia ser seu homólogo, o liberalismo político. E isso é demonstrado em vários momentos nas últimas décadas e na medida em que esse neoliberalismo foi-se impondo através de diferentes métodos.


De um lado, em termos conceituais, limitam a democracia como sistema de organização política e social até levá-la à sua mínima expressão, como é a denominada e dominante democracia representativa. Porém, alguém pode sustentar que o mero arremedo de eleição a cada quatro anos justifica ou demonstra plenamente o fato democrático?


Isso funciona até a hora em que as mentiras ocultas são descobertas, as promessas sejam esquecidas, a corrupção se estenda entre a classe política ou sejam tomadas medidas e decisões que eliminam todo tipo de direitos da população, sem nenhuma capacidade crítica e controle. Sem contar que o protesto da sociedade ante essas situações será ignorado sistematicamente ou desqualificado desde a prepotência política. Não temos que ir muito longe para encontrar exemplos dessa falta de controle social sobre as decisões da "casta política”, apesar da evidente corrupção, não cumprimentos eleitorais ou medidas de recortes de direitos.

 Hoje, vivemos tudo isso direta e diariamente nos países da Europa do sul, como o Estado espanhol, a Grécia, Portugal etc. Além disso, se a situação se complica para os interesses dominantes (econômicos) sempre restarão opções "democráticas”, como o estado de emergência ou, inclusive, o golpe de Estado, que, paradoxalmente, serão justificados como caminho necessário para a restituição democrática (Egito). Essa é a democracia representativa que a proposta neoliberal propugna.


Ao voltar às primeiras fases da imposição do neoliberalismo, veremos que, em termos práticos, estas aconteceram no Chile (1973) do ditador A. Pinochet. Esse país foi convertido pela Escola de Chicago, berço da teoria neoliberal, no laboratório ideal das políticas estruturais de ajuste, de liberalização e privatização dos setores estratégicos produtivos e a conversão do Estado em mero administrador do novo poder dos mercados e interesses econômico-financeiros. Tudo isso contando com o contexto que supunha o desaparecimento de direitos políticos, trabalhistas, sociais e civis, sofridos pela população chilena no marco da ditadura e que impossibilitava qualquer mínimo exercício de oposição.

Posteriormente, em uma nova fase de implantação das doutrinas neoliberais, esta se revitalizaria já nos chamados sistemas democráticos. Neutralizam a ideia de que essas políticas somente eram aplicáveis em ditaduras e articulam os meios para torná-las possíveis também em "democracias”. A Bolívia supôs um primeiro passo. Acabava de acontecer eleições (1985); o país ainda vivia um processo de transição após décadas de ditaduras militares e a imposição das medidas de choque tiveram que ir acompanhadas da repressão, para tentar destruir o sindicalismo e o movimento social, centrando-se em seus dirigentes e chegando à declaração pontual de estados de sítio que facilitam as imposições do novo modelo. Como ressalta N. Klein, "a Bolívia proporcionou um modelo para uma nova classe mais digerível de autoritarismo: um golpe de Estado civil levado adiante não por soldados de uniforme militar, mas por políticos e economistas trajados e protegidos pelo escudo oficial de um regime democrático”.

A partir desse momento, esse processo se acelerará e, com receitas mais ou menos iguais, se irá impondo em outros países, como na Rússia de Boris Yeltsin ou nos países do antigo Leste europeu. E tudo isso, sem esquecer paradigmas como as medidas de Ronald Reagan ou de Margareth Thatcher para instaurar o neoliberalismo também em países centrais do sistema-mundo, passando, como exemplo, pela destruição de quem não estivesse disposto a assumir as novas vias e que possam levantar um muro de contenção contra, como é o caso do potente sindicalismo mineiro inglês. Em outros países, o sindicalismo foi assumindo um papel dócil, com o novo sistema dominante e exemplos disso estão muito perto de nós.


Porém, outro exemplo paradigmático da hipocrisia neoliberal em relação direta com o sistema democrático tem se dado contínua e reiteradamente no mundo árabe e se aprofunda em datas recentes. Chamamentos retóricos históricos em defesa da legalidade e da democracia conjugaram-se permanentemente com o respaldo prático a regimes tirânicos, como as monarquias petrolíferas da península arábica, onde o desaparecimento dos direitos mais elementares da população e, especialmente, das mulheres, é uma constante, junto com o apoio total da Europa e dos EUA. Outros regimes de corte parecido se respaldaram, por exemplo, ao longo de todo o norte da África, enquanto esses responderam positivamente aos requerimentos político-econômicos dominantes neoliberais.


Recentemente, assistimos às chamadas "primaveras árabes”, onde os levantes da população contra os regimes ditatoriais iam acompanhados pela falta de entusiasmo por parte das democracias neoliberais ocidentais nos casos em que a revolta se dava contra regimes "amigos” (Túnis, Egito, Bahrein, Iêmen...). Com a aberta intervenção, inclusive militar, quando esses levantes foram contra sistemas políticos "perigosos” (Líbia, Síria...).


É evidente que o primeiro que se desprende é que mesmo que se propugne a democracia como o sistema político mais respeitoso aos direitos humanos e ao bem estar das populações, na hora da verdade esta não serve igualmente a todos os povos e fica subordinada aos interesses econômicos neoliberais. Acabamos de ver isso no Egito, onde o novo golpe de Estado (3 de julho), levado adiante pelo exército que governou o país durante os últimos 50 anos, devolve a este o poder e as democracias do ocidente o aplaudem não o qualificando como golpe de Estado e tomando medidas que ficam unicamente no declarativo; enquanto, efetivamente, supõem um claro respaldo às novas autoridades golpistas. Isso tudo inclusive após a matança de centenas de pessoas (segundo as cifras mais conservadoras) que se tem produzido no país norte africano.


A Europa e os EUA chamam hipocritamente à "contenção das partes”, esquecendo qual a parte que detonou o golpe de Estado contra a democracia e qual parte está colocando a imensa maioria de mortos e feridos. Como ressaltava recentemente R. Fisk, em La Jornada, do México, depois disso, que muçulmano voltaria a acreditar nas urnas?

Em suma, a própria chanceler alemã, Angela Merkel, resumia recentemente o "espírito democrático” que expressam os sistemas neoliberais, ao dizer: "Podemos ajudar aos países da região; porém, somente se as próprias sociedades elegem o caminho correto”. A frase, em exercício de sinceridade política, deveria continuar: "e nós definimos qual é o caminho correto”, plasmando a marca colonialista, paternalista e imperialista que também caracteriza ao neoliberalismo quando este tira sua máscara democrática. Essa é, em grande medida, a hipócrita atitude do neoliberalismo com relação à democracia.



*Tradução Adital

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Experiência chilena mostra que a esquerda precisa se unir







Nesta quarta-feira, 11 de setembro, completam-se 40 anos desde que o general Augusto Pinochet interrompeu, com um golpe de Estado, a experiência de governo popular que vinha sendo implantada por Salvador Allende. As falhas e deficiências que debilitaram o governo Allende são debatidas até hoje. Para a historiadora Elisa de Campos Borges, que pesquisou o processo em seu doutorado, as divergências internas da esquerda enfraqueceram o governo.


Por Vanessa Silva, do Portal Vermelho
Allende foi eleito em 1970 por uma coalizão de partidos de esquerda agrupados na Unidade Popular (UP), formada pelos partidos Socialista (PS) e Comunista (PC) que divergiam entre si a respeito de qual deveria ser a “via chilena ao socialismo”. “A UP apostava na conquista do poder executivo e legislativo, na participação popular, e no desenvolvimento da economia por meio da nacionalização das áreas econômicas estratégicas, para então iniciar o processo de transição ao socialismo”, esclarece Elisa. Ao discutir os meios, tais divergências resultaram no enfraquecimento do apoio ao governo Allende “principalmente onde ele tinha o maior respaldo: entre os setores populares”, ressalta a pesquisadora.


Leia também:


Portal Vermelho: O governo de Salvador Allende representou uma estratégia de construção do socialismo pela via democrática, sem rompimento da ordem constitucional. Quais foram as dificuldades que Allende encontrou para conciliar as diversas tendências dentro da esquerda?

Elisa de Campos Borges: Bom, o PS era internamente dividido em grupos que discordavam entre si da possibilidade da realização da transição ao socialismo pela via não armada. Allende era o defensor da ‘via democrática’ enquanto Carlos Altamirano, que era da chamada ala radical e um defensor da via armada e do modelo cubano de revolução. Altamirano é eleito Secretário Geral em 1971. Neste momento, o conflito de Allende com o presidente do PS passa a ser explícito. A atuação do PS, a partir deste momento, será de organizar um poder popular radicalizado e que pudesse estar preparado para o conflito armado. Nem mesmo internamente o presidente Allende contava com o apoio dos seus partidários.


Já o Partido Comunista do Chile (PC) desde os anos 1960 tentava formular uma via própria e revolucionária para o país. Seus dirigentes afirmavam que era preciso analisar profundamente a constituição da sociedade chilena para propor um projeto de transição ao socialismo. Eram críticos às posições cubanas que defendiam que necessariamente a revolução na América Latina deveria ser pela via armada. Neste momento, a União Soviética já tinha aprovado a tese da coexistência pacífica, o que influenciou muito na formulação da ‘via não armada’ do PC Chile. Como afirmava o advogado e escritor Volodia Teitelboim era possível construir o socialismo ‘sem um banho de sangue’. Ou seja, para o PC era razoável construir a transição ao socialismo consolidando uma força político-social hegemônica por meio de uma política de massas. Tanto que para o PC a atuação nos movimentos populares era principal ‘tarefa’ de um militante político.


Como estas disputas contribuíram para debilitar o governo Allende?

Durante o governo da Unidade Popular os dois projetos de revolução se enfrentavam a partir de duas consignas: “avanzar sin tranzar” do PS e “consolidar para avanzar” do PC. Para o Partido Socialista era necessário avançar no processo de nacionalizações e de organização do poder popular sem fazer qualquer concessão ao centro político ou mesmo à direita. Ao mesmo tempo em que era preciso prepará-los militarmente. Já o PC adotava uma postura mais conciliatória e de acúmulo de forças para seguir no processo de implantação do programa da UP, até porque, o governo não tinha maioria no parlamento e contava com uma oposição explícita do judiciário.


Essa disputa refletiu no dia a dia do governo da Unidade Popular. Mesmo nos momentos de maior vulnerabilidade do governo, com ataques do centro e da direita, os discursos dos militantes e dos partidos socialistas e comunistas não apresentavam unidade. Enquanto o PC concordava e apoiava o presidente Allende a sinalizar pela abertura de diálogo com setores opositores, os socialistas clamavam pela radicalização do processo. Nos movimentos populares esta questão se repetia.
Na eleição da Central Única dos Trabalhadores, socialistas e comunistas formaram chapas concorrentes. Em Santiago, dentre outros motivos, esta divisão acabou possibilitando a segunda maioria a Democracia Cristã (partido de centro e envolvido com ações golpistas dos opositores de Allende).


Mas como este processo se deu entre o movimento popular organizado?

Veja, na base os militantes socialistas e comunistas divergiam sobre a leitura do governo popular e da estratégia de atuação nos movimentos, o que afetou a organização de uma frente única de defesa do governo. Um exemplo claro está no processo engendrado pelo governo de estatização das indústrias ditas prioritárias para o sistema produtivo chileno.
As indústrias estatizadas tiveram melhorias no sistema produtivo, nas condições de trabalho, nos salários, etc. Com todos esses avanços, os trabalhadores queriam que as indústrias em que trabalhavam fossem estatizadas, independente do grau de prioridade do governo. Mas como o governo nunca conseguiu aprovar uma lei de estatização das indústrias, o que requeria um processo lento e cuidadoso para respeitar a legislação que abria brechas para estatização.
 No entanto, os próprios trabalhadores e setores do P.S acabavam ocupando indústrias exigindo do governo a sua estatização. Carlos Altamirano apoiava explicitamente essa conduta, enquanto Salvador Allende pedia aos trabalhadores e partidários da UP que tivessem calma com o processo. Não era possível, dentro da proposta do governo, romper com a institucionalidade de uma só vez. Uma onda de ocupações de indústrias ocorreu durante os anos de 1972 e 1973, forçando o governo a estatizar algumas que não estavam no planejamento original do governo e, em outras, negociar a desocupação da indústria. Assim, um dos grandes problemas era conjugar as expectativas dos setores populares (que em diversos momentos eram estimulados por militantes da linha “avanzar sin tranzar”) e os limites do processo.


Como a direita agiu diante disso?

Quem se aproveitou da falta de unidade entre a esquerda foram a direita e o centro político que viam uma possibilidade de enfraquecer o governo e de articular ofensivas dos setores patronais para se contrapor aos movimentos populares. Então as divergências entre PS e PC acabaram por enfraquecer o governo principalmente onde Allende tinha o maior respaldo: entre os setores populares.


Claro que isso não justifica nenhum pouco o golpe que a democracia chilena sofreu em setembro de 1973, mas demonstra que é preciso unidade entre a esquerda não somente para ganhar eleições, mas, sobretudo, após a vitória eleitoral para dar seguimento à implantação de projetos de mudanças.


Sendo mais específicos, como, a seu ver, o Partido Comunista do Chile atuou no governo Allende?

De forma resumida, o PC atuou de acordo com suas convicções presentes no programa do partido, ou seja, acreditando que era possível uma transição onde a luta armada não era uma questão fundamental e decisiva. No entanto, é importante frisar que a linha do PC não era mais pela “via pacífica” (meados dos anos 1960) e sim pela “via não armada”, ou seja, cabia dentro do projeto político a atuação mais radical de mobilização social. Historicamente o Partido Comunista teve uma importante atuação de participação eleitoral e parlamentar. Mesmo nos momentos em que vivenciou reveses políticos continuou a trilhar o caminho do parlamento. Por isso, também foi tachado por setores de esquerda como um partido reformista. Ao mesmo tempo, se dedicava a aumentar a sua influência nos movimentos populares, inclusive, nos programas do PC nota-se uma questão extremamente importante: o êxito eleitoral deveria ser reflexo do êxito da atuação do partido nos principais movimentos populares. E o Partido Comunista tinha uma grande votação até o golpe. Chegou inclusive a ser o partido mais votado entre a esquerda.


No governo Allende, o PC foi leal ao presidente e ao projeto político enfrentando inclusive situações onde tiveram que discutir com sua base política que era necessário avançar no processo com certa cautela, uma vez que não possuíam maioria no sistema político e enfrentavam muitas resistências de setores econômicos nacionais e internacionais.


Ao mesmo tempo, essa lealdade e a sua tendência em manter a hegemonia em determinados movimentos populares não os permitiram perceber ou colocar entre suas prioridades, que, em um processo como o da UP “novas” formas de organização popular certamente poderiam ser articuladas. Isso o levou a criticar as ‘novas experiências’ de atuação popular que possuíam um discurso mais radicalizado ou que não tinham os comunistas entre os seus participantes. No geral, a atuação do Partido Comunista foi de colaborar ao máximo com o governo da UP. De fato, nota-se, ao analisar os discursos da época, que os comunistas acreditavam no projeto, diferentemente de muitos socialistas.


Podemos dizer que a edificação de um poder popular no país tem ainda hoje consequências nos protestos estudantis, na luta camponesa, na organização sindical…?

Essa questão não posso responder diretamente.Teria que pesquisar sobre as organizações sociais nos dias atuais e sua posição em relação à experiência chilena dos anos 1970.


Mas me parece que, o fato do Chile ter vivido por um lado, a experiência de um governo popular e democrático que ampliava direitos e incluía a população mais carente e, por outro, um Estado Autoritário que excluía, torturava, sequestrava, assassinava e privatizava os setores públicos, influencia as pautas de alguns movimentos populares na atualidade.


O sistema educacional, previdenciário, econômico, político, cultural dentre outros, atuais no Chile segue um modelo imposto pela constituição de 1980 do Estado Autoritário. Após o início da chamada transição à democracia, o país não realizou uma constituinte ou uma reforma nos principais dispositivos da lei máxima do país.
 Deste ponto de vista, as reivindicações hoje questionam as balizas colocadas pela constituição e pela ditadura ao Estado Chileno, que não foram alteradas substancialmente nos governos eleitos em democracia.
 O sistema excludente continua, na essência, o mesmo.


E quanto à herança repressora no país?

Eu ainda fico estarrecida com a presença dos blindados de guerra e com o número de oficiais do exército acompanhando manifestações populares no país. É impressionante como o sistema autoritário ainda faz parte do Estado.


Na minha opinião, o Chile ainda precisa rever a sua constituição e tornar o seu sistema político mais democrático. É preciso iniciar mudanças a favor da inclusão, da participação e assegurar direitos e serviços públicos aos chilenos.


Será um processo difícil porque até hoje a população ainda é muito dividida. Basta lembrar as manifestações no dia da morte de Pinochet, assim como na eleição de Piñera em que partidários de Pinochet comemoravam o retorno da direita política à presidência do país. Também não sei até que ponto setores da Concertación, sobretudo do Partido Socialista quer de fato uma mudança, no sistema político.

Aguardemos as eleições deste ano e os seus desdobramentos.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Ditadura brasileira era o modelo dos golpistas chilenos






A historiadora britânica Tania Harmer, da London School of Economics, foi quem descobriu a existência dos papéis diplomáticos chilenos que descrevem a participação do Brasil no golpe de 1973. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a historiadora revela como a ditadura instaurada no Brasil foi usada de modelo pelos chilenos.


Por Roberto Simon
Simon: Além do apoio material do Brasil em 1973, a sra. aponta para o 'exemplo' brasileiro aos militares chilenos. Como é isso?

Tania Harmer: Os golpistas chilenos não queriam criar uma democracia nos moldes dos EUA, mas uma ditadura militar como a instaurada no Brasil em 1964. Eles queriam recriar esse Brasil no Chile para frear a "ameaça comunista" e "restabelecer a ordem". E foi isso o que fizeram.


E por que Salvador Allende e Cuba subestimaram a ameaça que a ditadura brasileira representava aos planos da esquerda latino-americana?

Primeiro, os EUA eram o foco principal dos movimentos de esquerda da região. E havia a crença de que Washington era uma potência imperial, capaz de manipular tudo na América Latina, usando seu poder econômico, financeiro e político. O regime militar que nasceu no Brasil após o golpe de 1964 passou a ser visto pela esquerda como um fantoche do imperialismo americano. As charges nos jornais cubanos mostravam um ditador brasileiro com fios de marionete sendo manipulado pelo Tio Sam. Mas isso era equivocado, pois os generais brasileiros não estavam sob controle dos EUA, eles iam atrás do que consideravam o interesse nacional do Brasil, mesmo se isso entrasse em conflito com os americanos. Foi um erro de interpretação fundado na ortodoxia marxista e nunca houve uma compreensão mais elaborada sobre as relações entre Brasília e Washington.


O que tornou a 'questão chilena' tão explosiva?

Parte da importância que o Chile ganhou tem a ver com o contexto internacional do fim dos anos 1960 e o pavor, em algumas capitais, diante do risco de ver revoluções se espalharem. Hoje, não entendemos bem isso, pois, no fim, essa ameaça foi frustrada. Mas, na época, era uma possibilidade real. No início dos anos 1970, o regime militar brasileiro havia se consolidado totalmente, mas havia temores em sua vizinhança: na Bolívia, de Juan José Torres (governo nacionalista de esquerda), no Uruguai, com a guerrilha dos Tupamaros e, depois, no Chile.


O caso chileno era particular?

Sim, era um tipo de revolução nova, fora do modelo cubano, um governo marxista democraticamente eleito. Todos os olhos, portanto, estavam voltados para o Chile, não apenas os do Brasil. Estudante britânicos, americanos e mexicanos de esquerda foram ao Chile ver o que estava acontecendo. O país era um centro para a Teologia da Libertação, era a sede da Cepal e, claro, destino de exilados de vários países, incluindo o Brasil.


Brasil e EUA atuaram juntos contra Allende?


Digamos que eles trocaram informações, mas operaram em caminhos paralelos. Quando Médici esteve com Nixon na Casa Branca, em dezembro de 1971, os brasileiros informaram aos americanos o que estavam fazendo contra Allende, abrindo as portas para uma colaboração futura. Mas havia diferenças: em uma lógica de equilíbrio de poder, o Brasil temia um governo de esquerda na vizinhança, enquanto Bolívia e Uruguai também passavam por momentos delicados. 

Os EUA, por sua vez, viam Allende como um desafio a sua hegemonia regional e a sua credibilidade, dentro de um contexto de Guerra Fria, enquanto se negociava uma retirada do Vietnã.

Filme brasileiro mistura ficção, documentário, arte e ocupação





Coreografias, improviso, orixás, goteiras, criação, arte, solidariedade, intimidade. O clima de Esse amor que nos consome, de Allan Ribeiro mistura linguagens de documentário e ficção para apresentar a vida e a criação dentro da Companhia Rubens Barbot, um dos mais antigos grupos afrobrasileiros de dança contemporânea. Assista o trailer.


Por Xandra Stefanel, especial para RBA

 O diretor argentino Gatto Larsen e o coreógrafo brasileiro Rubens Barbot são companheiros de vida e arte há mais de 40 anos. Eles acabaram de se mudar para um casarão abandonado no centro do Rio de Janeiro que passa a ser, além de moradia, o estúdio de dança da companhia. O dia a dia de uma casa “normal” se mistura com um ambiente de criação artística e o culto aos orixás.


O filme começa com uma coreografia encenada entre luzes e panos translúcidos que dançam ao som de uma poesia sobre a ocupação da cidade pelo homem e vice-versa. Na verdade, Gatto, Barbot e a companhia encenam suas vidas reais em lugares reais. E é isso que Allan Ribeiro capta: a luta do dia a dia para manter vivo esse trabalho, a dança, a religiosidade, as questões raciais e sociais, a interação com uma cidade que exclui os que não têm recursos e o companheirismo que vai além do senso comum.

Eles têm permissão de ficar naquele lugar até que o casarão seja vendido. Mas não há incerteza, foram os búzios que falaram: “Não importa o caminho. Não precisa de dinheiro. Vocês vão permanecer nesta casa”. Mesmo com as visitas constantes de prováveis compradores, a vida e a arte pulsam harmoniosas e inabaladas pela constante ameaça de uma nova mudança. A cada visita, as baforadas de Exu expelem o perigo.


O centro do filme é a relação que os protagonistas têm com a vida e a com arte e a simplicidade com que agregam os artistas ao redor das criações da companhia. O casarão abandonado que aos poucos ganha vida parece servir de metáfora das questões urbanísticas atuais, como se fosse um fragmento da transformação da cidade em algo mais humano e menos comercial. Uma batalha ganha na guerra da especulação imobiliária que faz sucumbir estruturas físicas e humanas.


A companhia cria e ensaia dentro do casarão, mas leva sua arte às ruas, ao espaço genuinamente público. Coreografias feitas em cenários típicos (não turísticos) do Rio de Janeiro são a maneira com que eles se apropriam da cidade: de frente para o mar, os movimentos dos dançarinos estão em plena comunhão com a natureza. Seus corpos negros desenham movimentos que misturam danças e lutas de libertação, numa delicadeza que em nada contrasta com a rebeldia que exprimem em sua criação artística.

Ao mesmo tempo que os personagens/atores encenam para Allan, há momentos que eles se despem de seus papéis e a câmera parece deixar de existir. Talvez isso se explique pelo fato de o diretor não ser um estranho. Ele mantem uma parceria com Barbot e Gatto desde 2006: eles criaram juntos imagens para espetáculos, restauraram e organizaram os antigos arquivos audiovisuais da companhia e realizaram o curta-metragem Ensaio de Cinema, que ganhou diversos prêmios em festivais nacionais e internacionais.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Guilherme Oraculo participa do Projeto Fênix





Projeto Fênix reúne centena de jovens em Rio Claro no centro cultural.

Aconteceu no centro cultural Roberto Palmari o Projeto Fênix, projeto organizado por Thiago T.R do grupo  de rap Sentimento Real, de colaboradores do movimento hip hop da cidade e comerciantes do município.
O evento contou com apresentações dos grupos de Rap da cidade e região e também com apresentação do Rapper Mano Oraculo e DJ Ira representado a Banca de Djs da Sul que soltaram diversas rimas no evento.
Além das apresentações musicais o evento contou, com debate, palestra sobre a questão das drogas e das políticas públicas sobre o tema.

Oraculo participa do evento no bairro Cervezão






Rap e MPB aconteceu neste sábado (16) na Lagoa Seca do bairro Cervezão
Projeto Ó o Auê aí ó traz música ao bairro Cervezão

Neste sábado (16), continuaram as atividades do evento Ó o Auê aí ó, desta vez foi no bairro Cervezão que recebe apresentações musicais. Os shows aconteceram na Lagoa Seca – localizada na Avenida M-21.

Entre as atrações tivemos a presentação do rapper Mano Oráculo, que fez apresentação de freestyle. E da banda Ista, que trouxe canções MPB em versão acústica. De acordo com Favari Filho, presidente do Grupo Auê – entidade realizadora do evento -, as apresentações tem por finalidade trazer estilos musicais diferenciados a fim de estimular a comunidade a conhecer novos conceitos.

“Quisemos propor uma comunhão entre os gêneros para, dessa forma, trazer o público cativo do rap que reside na periferia para próximo do contato com um estilo musical não tão popular nos bairros. Acreditamos que a mistura sempre gera algo novo que merece ser destacado”, avalia Favari.

Segundo o presidente, a participação do rapper Mano Oráculo representa uma parceria muito importante para divulgação da cultura em Rio Claro. “É uma honra poder contar com o Oráculo no evento, o rap é a representação da cultura da periferia e conciliar essa proposta às ações do Auê tem muito a somar”.

Mano Oráculo, nome artístico de Guilherme Serapião de Souza Neto, também é presidente da Associação de Esportes e Aventura de Rio Claro, e coordenador do Projeto Escolinha de Skate. Com uma carreira extensa, Oráculo se apresenta também com a banda Maloca, além de ser destaque em carreira solo ganhando notoriedade com o videoclipe ‘Rima Maloqueira’.

A banda Ista, formada em 2010, preza pela sutileza da voz e violão para entoar canções que trazem o lirismo da poesia com a sonoridade da MPB. O grupo trabalha atualmente em um disco autoral que deve ser finalizado no início de 2013. Em versão acústica na Lagoa Seca, a Ista conta com participação especial da baterista Mari Segretto.

O evento com entrada gratuita integra o projeto Ó o Auê aí ó que é uma realização do Grupo Auê. A atividade conta com o apoio do Núcleo Audiovisual de Guerrilha F&M, Rede Cidade Livre e prefeitura municipal de Rio Claro. O projeto da turnê cultural é realizado com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura – Programa de Ação Cultural – 2011.

Guilherme Oraculo participa do lançamento da revista do Arquivo





Revista do Arquivo

            A Revista do Arquivo, que está em sua 9º publicação, é organizada e coordenada  pela equipe do Arquivo Público de Rio Claro, e tem seu lançamento semestralmente.
            Essa edição trouxe várias surpresas à comunidade rio-clarense. Serão publicados 17 artigos escritos por cidadãos que ainda residem em Rio Claro, outros, daqueles que tiveram o prazer de conhecer ou viver parte de suas vidas na nossa Cidade Azul, apresentando diferentes aspectos,  temas e vivências sobre a cidade. No lançamento os presentes ganharão um exemplar da revista.
            A Revista do Arquivo está aberta à participação de todos que queiram contribuir com o registro e a reflexão sobre nossa história, nossa cidade.
Foto: Karina Pereira Gonçalves
Local: Casarão da Cultura – Oraculo, Locão e Mano Mizu.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Hardcore Sitting" é o esporte radical praticado por cadeirantes nas ruas e pistas de skate




Este vídeo vai deixa-lo sem folego. O que acontece quando alguns jogadores de basquete sobre rodas resolvem ir um pouco mais longe? A resposta você vai ver agora, vamos embarcar nas aventuras radicais de Pablo Ruiz e sua equipe, cadeirantes que trocaram o tranquilidade do esporte convencional para voar mais alto. O "Hardcore Sitting" é novidade no Brasil, o esporte tranforma as pistas de skate em cenários de muita adrenalina, emoção e manobras radicais, imperdível!


Salve Fer, Esporte Já !!!

8º Festival de Música Popular em Rio Claro acontece no mês de Julho






Estão abertas as inscrições para a oitava edição do Festival de Música Popular Brasileira de Rio Claro. Até o dia 13 de julho a prefeitura, por intermédio da Secretaria de Cultura, recebe os documentos de inscrição, que devem preenchidos nas fichas disponíveis nos sites www.festivaisdobrasil.com.br , www.rioclaro.rc.sp.gov.br e www.secretariadeculturarioclaro.blogspot.com

terça-feira, 12 de junho de 2012

Acontenceu a I Copa SP de Basquete 3X3 em São Paulo





Cobertura Challenge Sport do primeiro dia (sábado 26/05) da Copa São Paulo de Basquete 3x3, que aconteceu no Parque da Juventude na zona norte de São Paulo.

Para acessar a cobertura completa com a matéria do evento, as fotos e vídeos, acesse:
http://www.chall.com.br/cobertura-basquete3x3-sao-paulo-2012/



Nas Redes e Nas Ruas / 16º Congresso da UJS






O encontro ocorreu na manhã de sábado(09), durante a realização do Ato Político da UJS, no teatro da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).
Estiveram presentes no ato a presidenta da UBES Manuela Braga; Hanói Sanches, secretário geral da Federação Mundial das Juventudes Democráticas (FMJD), Daniel Iliescu, presidente da UNE, Orlando Silva, ex-ministro dos Esportes, Renato Rabelo, presidente do PCdoB, Eduardo Paes, prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Manuela D’Ávila, deputada federal e pré-candidata à prefeitura de Porto Alegre, Inácio Arruda, senador e pré-candidato à prefeitura de Fortaleza, além de André Torkarski, presidente nacional da UJS, entre outros personalidades.
Manuela Braga iniciou o Ato parabenizando o sucesso do Congresso e os jovens militantes presentes, e citou a importância da ter aprovado a participação 50% de mulheres em sua direção nacional. Essa igualdade também foi citada na educação “Lutamos pela construção de um novo Brasil, um país de todos, um Brasil que possamos dizer que temos uma escola conectada, por isso, lutamos que haja 10% do PIB na educação, para que todos tenham direito a um estudo digno e de qualidade.”. declarou.
A atuação dos movimentos secundaristas e universitários, e a força da mulher brasileira foram elogiadas por Hanói Sanches, secretário-geral de Cuba, que falou da luta do jovem para construir o socialismo: “Nós temos que condenar o imperialismo, para defender todos os outros ideais. Vivemos em uma organização que quer um mundo melhor. Os problemas da América Latina, Caribe o resto do mundo são a desigualdade social, conseqüência do Imperialismo. Estamos conscientes que se esta juventude continuar lutando, indo às ruas, poderá combater esse sistema.”. Hanói, ao finalizar seu discurso, entregou uma medalha da União da Juventude Comunista de Cuba (UJC), comemorativa aos 50 anos da UJC, a André Tokarski.
Quanto às pressões que os estudantes sofrem por parte da mídia, Daniel Iliescu enfatizou que a UNE se manterá forte, tal como se manteve na ditadura e resistirá à pressão da Globo. “Assim como vários jovens de outras gerações deram suas vidas para honrar a luta pelo nosso país, assim faremos, não nos intimidaremos, vamos continuar na luta pelo desenvolvimento da educação e caminhar rumo ao Brasil sustentável. Não há sustentabilidade nos marcos do capitalismo.”.

Skate em São Bernado do Campo-SP





Por Carlos Pretto
30/05/2012
Aconteceu no dia 26 de maio, a inauguração da área de street da Praça dos Trabalhadores Armando Ruivo, em São Bernardo do Campo (SP). É a primeira "skate plaza" na cidade, que surgiu após a solicitação dos skatistas da região junto às plenárias do Orçamento Participativo da Prefeitura. Plenarias que também aprovaram a construção da nova pista do Jardim Calux, onde os skatistas locais já estão providenciando um rascunho de como eles querem a pista. Em breve teremos mais uma nova pista na cidade.

A equipe de skate da cidade, São Bernardo Skate Performance, Gustavo Paiva (amador), Gabriel Machado, Ivan Monteiro e Ricardo Alves (iniciante) estiveram presente e andaram muito na pista, assim como a galera que compareceu em peso para andar na nova pista, como Alexandre ‘Kabelinho’, Paulo ‘Modelado’, Murilo Correa, Rafael, entre os locais.

O endereço é Avenida General Barreto de Menezes com Rua Fiúza da Rocha, S\Nº , no Jardim Silvina.

Como chegar: De carro, seguir pela Avenida Faria Lima ate o final, seguir o fluxo pelo pontilhão e seguir sempre em frente, passando pelo deposito das Casas Bahia, que chega La. De ônibus: as linhas do Jardim Silvina, passam todas pelo centro da cidade e passam também em frente à praça, desce em frente.

Skate em Santos-SP




O Tribanks da pista de skate do Parque Mário Roberto Santini, no canal 1 de Santos, mais conhecido também como Pier Internacional do Surf, sediou no dia 09 de junho de 2012 a primeira etapa do Circuito Paulista de Skate Banks.
Originalmente o evento aconteceria no dia 19 de maio, no entanto ouve o adiamento da etapa que será realizado na data acima.
Realização foi da Federação Paulista de Skate com homologação da Confederação Brasileira de Skate, sendo assim, a etapa conta pontos também para o ranking Brasileiro além do Paulista.
Tem apoio da Secretaria de Esportes, Lazer e Juventude do Estado de São Paulo, Prefeitura de Santos, Trasher, Esze e Black Sheep.